Montanhas do Paraná e do Brasil

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quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Pedra do Baú e seus 600 grampos - A montanha que desafia


Todo o grupo no cume do Baú 

"A montanha é a maneira mais fácil de se fazer amigos. Pois na jornada todos passam pelo mesmo sofrimento. E no topo todos sentem a mesma glória."
Jean Oliveira - Montanhista Catarinense

12/10 até 14/10/2018

Saímos de Curitiba as 23:00 e depois de uma viagem de mais de 8 horas de estrada chegamos primeiramente em Campos do Jordão para “turistar”, a cidade fica um pouco mais de 50 km de São Bento do Sapucaí que era nosso destino principal. Encontramos uma pequena praça e ali mesmo fizemos nosso delicioso café colonial. A cidade ainda estava vazia, pois é uma cidade bem movimentada conforme vai chegando o período mais tarde. Café tomado, agora é conhecer essa linda cidade e seus atrativos. Enquanto um grupo de amigos foram fazer um turismo mais completo, damos uma volta nas lojinhas  enquanto eu, Clesi, Cleisi, Nelson, Paulinha, Cris e Eliane (que será nossa principal protagonista de superação na pedra do Baú), ficamos à espera do teleférico que ainda não estava em funcionamento. Logo que abriu pagamos a entrada que custa R$ 17,00 e subimos até o morro do Elefante com seus mais de 1800 metros de altura, no cume do morro é possível ver toda a cidade, mas esquece se for ver elefante, só umas esculturas que são bem sem graça, o passeio de teleférico e sensacional vale a pena.

Descemos e fomos para a famosa Vila Capivari, um lugar encantador, porém tudo muito caro, só o chopp que estava um bom preço, apreciamos o chopp no famoso Pastelão do Maluf com um aperitivo de frango, e conforme combinado com o motorista, fomos para o pico Itapeva e nos deparamos com belas paisagens como o lago Pico do Itapeva que é formado por nascentes de águas puras e cristalinas, e é considerado um dos lagos mais altos do Brasil por estar a uma altitude de quase 2 mil metros acima do nível do mar. Passamos também por um lindo hotel e logo chegamos no Pico Itapeva com seus 2030 metros de altura a nível do mar e que fica no município de Pindamonhangaba, nunca foi tão fácil subir uma montanha. Do seu cume é possível ver todo o vale do Paraíba e suas cidades ao redor. Descemos e fomos nos encontrar com outros amigos que estavam fazendo outro roteiro.








Nosso café colonial 




Vista do pico Itapeva




Cleisi, Cris, Nelson, Paulinha e Eliane

'Bunitão"

Ana Chata, Pedra do Baú e Bauzinho vista do Pico Itapeva




Vista do morro do Elefante


Clesi

Nos encontramos na mesma praça do café e partimos para a cidade de São Bento do Sapucaí, pois no próximo dia o desafio era maior, subir a Pedra do Baú e Ana Chata. Depois de um pouco mais de uma hora de viagem chegamos na entrada que vai para o Bauzinho, de início a ideia era fazer o Bauzinho descendo para fazer Ana Chata e Baú, mas a serrinha tem uma forte descida que acabou com os freios da van, subir novamente até a parte de cima da serrinha já era fora de quentão, evitando assim mais danos a van. O jeito agora era fazer o Baú e Ana Chata apenas. Chegamos no hostel Nativus e o Marcelo já estava nos esperando, cada um arrumou seu canto para dormir, lembro que o Marcelo tinha comentado sobre levar lençol, mas era tanta coisa que não passei para o meu pessoal e foi um grande vacilo meu. Passamos uma linda noite com céu estrelado ao redor de uma fogueira, que a própria Clesi e a Eliane fizeram e de quebra, marshmallow para assar na fogueira, foi show de bola.  

Noite de fogueira e marshmallow 
Acordamos cedo no dia seguinte, tomamos café e dali mesmo do hostel partimos a pé para o restaurante Pedra do Baú, pois é de lá que se inicia a trilha. A subida é feita por uma estrada muito bem asfaltada, mas extremamente íngreme, se o carro perder força dificilmente você termina a estrada, vai ter que descer e começar novamente. Depois de um pouco mais de uma hora de subida, chegamos no início da trilha, descansamos um pouco e começamos a trilha que vai até o Baú. Desde do início comigo caminhava a Eliane que nos mostraria o significado de superação. Subimos juntos em todo momento, conversávamos de tudo, expliquei para ela o que seria preciso fazer em caso de apavoramento, e ali comecei a trabalhar o seu psicólogo. Era sua primeira montanha, e imagina já de cara subir uma que é considerada montanha de difícil acesso e que precisa de todo cuidado. Na região existe guias, que estão preparados para levar turistas com todo a segurança que precisa, cadeirinha, corda, talabarte com mosquetão oval e até capacete. A Pedra do Baú é um conjunto de rochas gnaissicas da Serra da Mantiqueira, com seus 1950 metros de altura e seus 600 degraus segundo guias locais, é desafiador e temido por muitos. Assim que chegar na base já encontra a primeira escada com mais de 20 metros e conforme vai subindo mais medonho vai ficando. 










Subida é de judiar




Bea apreciando a natureza






Bea e Clesi

Bauzinho, Baú e Ana Chata bem a direita




Tá dado o recado

Eliane se preparando para o desafio



Existe pequenos platôs onde é possível descansar e esperar outros grupos que estão nas escadas. Cada trecho tem seu desafio sendo uns bem longos e outros bastante íngreme de até 90°. No início da subida das escadas um pessoal da prefeitura dava as primeiras orientações, isso é novidade no Baú, eles estavam lá ajudando no apoio de quem sobe e quem desce, uma iniciativa bacana da prefeitura. Não sei se para os guias da região é bom, mas para quem está pela primeira vez foi bem útil. Coloquei uma cadeirinha na Eliane e na Clesi, pois em caso de qualquer problema era só engatar o mosquetão na escada. Um pessoal já estava bem a cima de nós, Clesi, Paulinha e Cleisi já começava a subir, eu e Eliane ficamos em baixo esperando um “OK” do pessoal da prefeitura. O psicológico da Eliane estava pronto, mas logo veio uma frase “só cuidado com as abelhas”. Pronto estragou tudo, e lá vai eu falar com ela que sim, ela vai conseguir. Os primeiros degraus foram bem desafiador pra ela. No final do primeiro conjunto de degrau um pequeno trecho chato, depois dali foi só desafio e superação, sentia nela a força de vontade de vencer e comecei a perceber que o seu nervosismo foi embora. A coragem e determinação começava a tomar conta. E então vi que ela já estava mais além do que imagina, e cada vez que subia um grampo era uma vitória. Sem reclamação, ou se perguntando o que estava fazendo ali, vi uma garota superando seu limite e finalmente finalizando a subida do Baú. Aprendi mais um pouco o que é montanhismo, e que superar limites está sempre em nova volta. Abraços de alegria tomava conta de nós todos, Clesi, Cleisimara e Paulinha estavam em euforia por conseguir vencer mais um desafio, e Eliane olhava para o horizonte, acreditando que sim é possível chegar.

Fomos até a ponta que tem a visão de frente do Bauzinho, encontramos o resto da turma que se preparava para descer e fazer a Ana Chata e descer pela trilha do "Deus me Livre". Tiramos várias fotos, o pessoal que já tinha chegando antes, desceu e foram para a Ana Chata. Depois de um bom período curtindo aquele lindo visual, voltamos para iniciamos nossa descida. Nosso primeiro desafio foi ter espaço para descer, o pessoal da prefeitura que dava suporte logo nos orientou e pediu para esperarmos um pouco, pois existia gente subindo. Assim que o grupo terminou a subida, era nossa vez de descer, e com calma e muita cautela, descemos com todo o cuidado necessário.  As meninas já estavam mais confiante e a descida se tornou fácil. E quando menos esperávamos já estávamos na parte final das escadas, uma alegria imensa, mais uma montanha conquistada, mais histórias para contar. Eliana venceu seu desafio e com a Paulinha resolveram ir para o restaurante, enquanto eu, Clesi  e Cleisi fomos para Ana Chata, e em menos de 50 minutos já estávamos na parte de cima da montanha. O desafio mais legal foi passar pela caverna até chegar nas escadas que é bem pequena comparada ao Baú. Ao chegamos no cume encontramos nosso pessoal que já se preparava para descer e fazer a trilha “Deus me Livre”, Nelson e Cris resolveram voltar com a gente e avistamos uma forte chuva que se aproximava. Com o perigo de raios descemos logo, e não demorou muito para pegarmos a forte chuva que nos acompanhou até bem depois da subida para o Baú. 

Cume do Baú e Bauzinho a frente



Henri e Bea

Bea e amigos de Joinvile




Tá chegando




Clesi


Cleisi, Eliane, eu, Paulinha e Clesi

Paulinha

Cleis



Ultimo trecho de escada



A vitória é certa
Desafio vencido


Chuva chegando no horizonte


Pedra do Baú vista da Ana Chata


Nelson e os amigos de Joinville



Chegamos no restaurante Pedra do Baú depois de uma hora e meia de trilha desde da Ana Chata. Não consegui localizar a Paulinha e a Eliane, acreditei então que elas já estavam descendo, então partimos para o Hostel. Assim que chegamos no Hostel Nativus percebi que as duas ainda estavam lá em cima, fiquei bem preocupado, mas em poucos minutos elas já estavam no hostel também. Um banho de rio bem gelado, outro banho quente para tirar toda a sujeira e com a ajuda de todos preparamos uma galinhada no fogão a lenha. Depois de duas horas chega o outro grupo que fez a trilha completa. 
Beatriz, Henri, Wanele, CleversonAdriana, Jean. Enquanto Ricardo e Shania fizeram outra rota até o bauzinho e se aventuram nas caronas até o hostel, com isso tinham chegado antes de todos. Comemoramos, conversamos e jantamos. No dia seguinte acordamos sem presa, tomamos outro café e nos preparamos para o outro desafio, chegar em casa depois de horas e horas de viagem.

Galinhada quase pronta

Galera bacana





Agradecimento:
Obrigado ao Marcelo do Hostel Nativus por todas as dicas dadas, pelo equipamento emprestado e por nos deixar bem à vontade em sua propriedade, para quem quiser informações sobre o hostel ou serviços click aqui
Obrigado ao motorista Edvaldo que foi até o centro da cidade comprar nossa janta e umas cervejas para comemorar e que também teve bastante paciência com a gente. 
Obrigado a todos que estiveram presentes nessa incrível aventura, que com certeza vai deixar saudade. 

Beatriz Andreis
Henri Neto
Nelson  Junior
Wanele Riccetto
Cleverson Bueno
Cleicimara  Travaglia
Eliane Michalowski
Paula Lipinski
Cristiane Alves
Ricardo Santana
Clesiane Rossa
Adriana Priscilla Woitexem
Jean Camargo 
Shania Mathies
Edvaldo (motorista)

UM FORTE ABRAÇO A TODOS.



Um comentário:

Unknown disse...

Show!!! Parabéns ótimo relato 👏👊💪🤘