Montanhas do Paraná e do Brasil

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quinta-feira, 22 de abril de 2010

Um sonho conquistado- Salto Feitiço

Garganta do Diabo
Canyon do Rio Ipiranga, a esquerda Pico do Diabo
ao fundo Morro do Cachorro - Serra da Farinha Seca (canyon onde se encontra o
Véu da noiva e mais abaixo o Salto Feitiço)- Foto Reginaldo Mendes

Salto Feitiço - Foto Patrick
Imaginar que há anos estamos estudando cartas topográficas para conhecer o Salto do Feitiço (Veja Aqui - Temporadas para 2010). O Salto Rosário já é difícil de chegar, imagina mais adiante. Mas esse momento foi finalmente concretizado e conquistado, depois de muito estudo e levar uma equipe forte e destemida, capaz desbravar o rio Ipiranga com suas pedras e corredeiras. Uma caminhada difícil, assustadora e complicada. Poucos já chegar la, e quem conseguiu chegar com certeza tem muita historia para contar. 21/04/2010 vai ficar para a história.


Certa vez meu amigo Anderson Fidelis um montanhista e escalador, que já tinha comentando em uma das nossas caminhadas por ai sobre esse Salto do Feitiço localizado na serra da Farinha Seca no município de Morretes que fica um pouco abaixo do Véu da Noiva, já ouvi casos de até alguns montanhistas terem feito todo o vale e Canyon do Ipiranga . A Garganta do Diabo (uma fenda entre duas escarpas) que fica aproximadamente no Km 65 da ferrovia para quem vai para Morretes. Nesta fenda está situado o Pico do Diabo uma enorme rocha. Segundo algumas histórias percorridas, esse salto se deu o nome por uma jovem que morreu afogado quando estava visitando o local em meados da década de 30. Alguns historiadores dizem quem esse local era ponto turístico e quem descia de trem na estação do Véu poderia dar uma passada e apreciar essa bela cachoeira. Outros dizem que muitos aventureiros vieram de vários países em busca de uma cidade perdida. Muitas historias e lendas cercam esse lugar. Mas isso é historia, e hoje está totalmente inexplorado e com uma grande dificuldade de chegar neste local. Uma placa de bronze foi erguida divulgando o nome deste salto, mas até então essa placa para nós era duvidoso, e já era hora de conferir essa realidade.


Nos encontramos, como sempre, no Divesa na BR 116 sentido São Paulo, completamos uma equipe de 7 pessoas, montanhistas experiente, e com bastante coragem. Anderson, Patrick, Geromo, João, Darci, Reginaldo Mendes (eu) e Rodrigo Barbosa mas conhecido como Xandão. Partimos para a estrada da Graciosa as 07:30 da manha, a viajem foi como sempre tranqüila, chegamos logo em Porto de Cima e em 20 minutos já estávamos na tia Isabel para deixar o carro no estacionamento. Passamos pelo posto do IAP e em 40 minutos de caminhada já estávamos na Usina do Marumbi. Geralmente para ir até o Salto Rosário (nossa primeira parada), temos que passar entre rios e atravessar cercas. Mas desta vez aproveitamos o portão aberto para passar por dentro da usina, apesar de ser proibido, tentei localizar alguém para pedir permissão, mas não encontrei ninguém. Como já estávamos perto do portão que dá acesso a trilha, o jeito era fechar os olhos e logo sair da frente da usina para não termos problemas.

Pico do Marumbi ao fundo - foto Rodrigo Barbosa

Trem passando no rochedinho - foto Anderson

Morro do Cachorro ao fundo - foto Patrick
No inicio, saindo da usina vem nosso primeiro obstáculo, a mata fecha o começo da trilha, tivemos que abrir caminho pisando com tudo em cima do mato que se formou, embaixo dos nossos pés um verdadeiro banhadão que atolava.

Um dos trechos mais dificeis de passar - foto Rodrigo Barbosa
Logo encontramos a trilha do Salto Rosário, como era de costume sempre errar a trilha de começo e ficar perdido até achá-la novamente, mas desta vez acertemos de primeira e partimos sem nenhuma dificuldade. A trilha ainda continua perfeita e sem lixo e que continue assim, poucos conhece o caminho e para acertar bem a trilha precisa ir varias vezes, muitas arvores caem no caminho e a trilha sempre some.

Mas desta vez tivemos sorte e sem nenhuma dificuldade, Anderson foi nossa maior preocupação no momento, o seu joelho já bastante cansado quase deu sinal que ia doer. Geromo levou um GPS para facilitar a volta e demarcar bem a trilha, também com a ajuda de uma carta topográfica já era possível observar até onde estávamos. Patrick levou sua corda que foi muito útil no final da expedição. Com toda experiência e com ferramentas em 1hr de 23 minutos já estávamos novamente no Salto Rosário. Darci e João estavam la pela primeira vez, e um banho nesta cachoeira é sagrado.


Salto Rosario - foto Reginaldo Mendes

João mergulhando no Salto Rosario - Foto Reginaldo Mendes
Aguá para um suco - Foto Reginaldo Mendes


Paramos para descansar e fazer um lanche forte, João aproveitou todo aquele momento para se banhar. Depois de uma hora de parada, começa uma das nossas maiores aventuras, se não for a maior e a mais esperada da minha vida, não somente a minha, mas sim de todos. O único que já chegou bem próximo era Anderson, ele já tinha tentado varias vezes, mas sempre surgiam problemas na trilha e tinha sempre que abordar a caminhada. Tanto eu como Rodrigo já estávamos estudando há tempos esse salto, só tínhamos com a gente informações. Sem fotos e sem relatos, já imaginávamos a dificuldade da trilha.


Um pequeno descanso - Foto Patrick


Rodrigo Barbosa e Darcy - Foto Reginaldo Mendes
A trilha estava coberta de um manto de samambaias mortas que cobria todo o chão, a impressão que se dava era a qualquer momento tudo ia desabar, o chão se movia conforme caminhávamos. Com todo cuidado para evitar gretas formadas pelas árvores e raízes que se escondia em baixo deste manto, andávamos com cautela e lentamente o salto do Rosário ia ficando para traz. Entre subidas e descidas se agarrando em tudo que se vê, raízes, troncos, galhos, tudo era importante. Eu mesmo ao subir num galho que acreditava estava fácil quase dei um mortal, o galho estava podre e num instante achei que ia beija o chão. A trilha começa a ficar difícil, conforme íamos caminhando as dificuldades iam aumentando.

Rodrigo Barbosa e Patrick - Foto Reginaldo Mendes

Saímos no rio novamente, ali começava a incerteza. A trilha simplesmente desapareceu, não sabíamos se ela estava do outro lado do rio ou continuava a cima. Seguir o rio seria besteira, só se via cachoeiras e corredeiras. João e Darcy (não é dupla sertaneja), resolveram tentar achar a trilha do outro lado do rio molhando por completo as pernas.

Ficamos do outro lado estudando a carta e o GPS, descobrimos que não precisava passar o rio e partimos a nossa esquerda, fazendo uma pequena escalaminhada. Enquanto os dois continuavam dentro do rio tentando achar uma saída. Com seus pés molhados e não ter que voltar novamente, acabaram ilhados num grande bloco de pedra.

Anderson se preparando para o resgate - Foto Reginaldo Mendes
Para resgatá-los tivemos que usar a corda de escalada, o Patrick segurava a corda de um lado enquanto Anderson fazia um pé de apoio caso alguém escorregue, e como se fosse um pêndulo no paredão, os dois saíram do bloco sem nenhum problema.

A nossa caminhada continua e deparamos com uma linda cachoeira, tiramos algumas fotos e continuamos. Subindo a trilha sentido a Garganta, pedras que estavam na trilha começam a cair, se deslocando com muito perigo. Para não acontecer acidentes começamos a evitar ficar em cima delas para elas não rolassem morro abaixo. Paramos para um rápido descanso e analisar a carta e o GPS, mas o aparelho não captava mais sinal do satélite para fazer a demarcação, o jeito agora era ir meio na sorte mesmo. Passamos por mais uma grande cachoeira que chegou a ser duvida. O salto tinha mais de 20 metros de altura, Anderson estava confiante que ali não era o Salto do Feitiço.

Segundo salto a vista - Foto Rodrigo Barbosa
Ele tinha as informações de um paredão que se fazia rapel para começar a descer o vale e que o salto estava entre dois paredões e uma delas era o Pico do Diabo.
Continuamos nossa caminhada, estávamos bem cansados e nos deparamos com um imenso paredão, ali começava a dúvida de continuar ou não, estávamos muito próximo, já se ouvia o barulho do trem. Em nossa frente um grande obstáculo para passar, e ali ficamos. Continuar ou voltar? Rodrigo parte num ataque até o paredão do vale e dentro do rio vai até onde ele consegue enxergar, mas o maximo que ele vê é pedras, corredeiras e uma curva sem visibilidade. Enquanto Patrick acreditava que já tinhamos passado o salto. Rodrigo volta e nos deixa com uma certa dúvida que o salto ficaria novamente para uma outra vez. Se Geromo ou Anderson resolvessem dizer "vamos abandonar", o Salto do Feitiço seria só frustração.

A incerteza era continuar dentro do rio até chegar no lado de cima da curva onde tínhamos um chance de enxergar alguma coisa ou voltar mais um pouco e tentar o paredão da garganta que estava na nossa esquerda. O rio foi a melhor opção, deixamos tudo, mochilas e até mesmo as botas para trás.

Começamos a subir descalço e com água até a cintura em alguns trechos. Geromo, Rodrigo e Darcy já estavam começando a subir um paredão de pedra que estava dentro do rio, e lentamente começamos a seguir seus caminhos. Numa euforia enlouquecedora Rodrigo começa a gritar como uma emoção que só nós montanhistas conhecemos, do nada encravado na pedra entre a garganta um placa de bronze dizendo "Salto Feitiço, 30 do VI de 1935". Uma alegria toma conta de todos, estávamos finalmente no Salto Feitiço, agora era só fazer o ultimo ataque e subir a corredeira onde já estava, Rodrigo, Geromo e Darcy.

Placa de Bronze do Salto Feitiço - foto Anderson

Anderson Contemplando a conquista - foto Reginaldo Mendes
Rodrigo foi o primeiro a achar a placa, Geromo estava num platô em baixo do rio para ajudar na subida, usamos novamente a corda do Patrick para subir aquelas pedras, do lado esquerdo uma cachoeira que caia com força, com a corda estendida e com a ajuda de um tronco de árvore que estava na cachoeira subimos mais uns degraus. Estávamos finalmente no Salto Feitiço, em um pouco mais de 3 hrs de caminhada concretizamos a conquista, muitas fotos da placa. O salto ainda estava um pouco distante, não era possível chegar muito próximo por causa de uma piscina natural que nos separava, mas dava para ve-lá com toda nitidez. Anderson e RB tiravam fotos do paredão, segundo eles era possível visualizar uma mulher de pé.

A estranha mulher no paredão - foto Anderson

Tiramos algumas fotos, visualizamos bem o caminho e como nosso tempo já estava se esgotando, pois a idéia era evitar a escuridão na trilha fizemos o ultimo lanche, verificamos se não tinha nada de lixo, arrumamos nossas lanternas e então nos preparemos para o retorno. Já na saída, usamos a corda para ajudar na descida, Geromo desce rapelando e da assistência para nós e cada um desce pendurados na corda.

Rodrigo e Geromo contemplando a vitória - foto Patrick
Não foi preciso usar a cadeirinha, deitamos sobre a pedra até alcançar o platô dentro do rio e com a ajuda da corda descemos mais um pouco até chegar com segurança na parte de baixo do rio, já estávamos novamente na trilha e dali partimos para o retorno ao Salto Rosário onde passamos sem parar pela trilha e continuar sentido a usina, em duas horas e meia já tínhamos saído da trilha e já era possível visualizar novamente o Marumbi. Agora era só pegar a estradinha, chegar até a Dona Isabel e ir até Morretes onde paremos num restaurante que sempre freqüentamos quando terminamos uma aventura, fizemos um lanche forte e comemoramos nossa conquista.
E dali já saímos para finalizar que a temporada das cachoeiras vai ficar para o próximo ano e agora começa a temporada de montanhas.


Parabéns a todos:
Anderson Fidelis
Rodrigo Barbosa
Geromo
Patrick
Reginaldo Mendes
Darcy
João

Até a próxima.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

O primeiro nas nuvens.

A conquista do topo do Everest, em 29 de maio de 1953, aumentou o brilho da homenagem que recebeu da rainha Elizabeth II, da Inglaterra, quatro dias depois, quando recebeu o título de “sir”.

1957

Sir Edmund Percival Hillary, foi um alpinista famoso que fez pela primeira escalada bem sucedida do Monte Everest. Ele e o guia sherpa Tenzing Norgay o cume em 29 de Maio de 1953. Nascido na Ilha Norte em Nova Zelândia, iniciou-se no alpinismo durante a adolescência, obtendo sua primeira subida significativa em 1939. Durante a Segunda Guerra Mundial foi navegador da Royal New Zealand Air Force. Participou de uma fracassada expedição neozelandesa ao Everest em 1951 antes de tomar parte da bem-sucedida tentativa britânica de 1953. Escalou outros dez picos do Himalaia. Alcançou também o Pólo Sul, como parte da Expedição Britânica Trans-Antártica, em 4 de janeiro de 1958. Hillary devotou muito de sua vida para ajudar o povo Sherpa do Nepal através da Himalayan Trust que ele fundou e à qual dedicou grande parte de seu tempo e energia. Devido aos seus esforços conseguiu construir várias escolas e hospitais nessa remota região do Himalaia. Tem declarado que considera esta como sua mais importante realização. Foi também presidente honorário da American Himalayan Foundation, uma sociedade sem fins lucrativos que contribui com a melhora nas condições ambientais e de vida no Himalaia. Foi dele a idéia de construir o aeroporto de Lukla, que aumentou o turismo de estrangeiros, uma das grandes fontes de renda do Nepal. Este aeroporto nas montanhas é a base de onde partem os grupos de trekking no Himalaia. O Himalayan Trust e The Sir Edmund Hillay Foundation, juntos, construíram 25 escolas, dois hospitais e doze clínicas médicas. Construíram pontes sobre rios, campos de pouso para pequenos aviões, reergueram templos budistas e centros culturais. Criaram um "berçário de árvores", que replantou, desde 1990, um milhão de mudas no Parque Nacional de Sagarmatha. Para marcar a ocasião do aniversário de 50 anos da primeira escalada bem sucedida do Everest, o governo nepalês conferiu a cidadania honorária a Edmund Hillary em uma celebração especial do jubileu de ouro na capital Kathmandu. Edmund Hillary foi o primeiro cidadão estrangeiro a receber tal honra no Nepal. Edmund Hillary faleceu em 11 de janeiro de 2008, em um hospital em Auckland, na Nova Zelândia, aos 88 anos de idade era considerado um dos maiores aventureiros do século XX.
“Sir Ed (como gostava de ser chamado) se escrevia como um neozelandês médio com habilidades modestas. Na verdade, ele era um colosso”, disse a primeira-ministra do país, Helen Clark, ao anunciar a morte de Hillary. “Ele era uma figura heróica que não apenas ‘derrubou’ o Everest, mas viveu uma vida de determinação, humildade e generosidade.”
Humilde, Hillary devotou sua vida a ajudar a população que vive nas montanhas do Nepal, e ignorava em grande medida sua fama.