Montanhas do Paraná e do Brasil

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terça-feira, 26 de março de 2013

Voltando para o Taipabuçu

Já fazia um bom tempo que não caminhava por aquelas bandas, se não me falhar a memória foi antes mesmo do meu filho nascer, e ele já está com 11 anos. O Taipa foi umas das minhas primeiras montanhas. Com uma vista privilegiada é uma das mais belas montanhas. Pouco conhecida e visitada por quem realmente conhece, está cravada na serra do Ibitiraqui, entre o Caratuva e Ferraria. Não me lembrava de quase nada da trilha, pois só a subi uma vez e naquela época era “um pia de bosta”. Hoje tenho mais conhecimento, respeito e clareza do que faço, mas foi uma honra voltar para lá com meus dois parceiros de montanha.
Quem deu a partida para irmos para lá foi o Will, convidamos então o grandioso Patrick e partimos. Chegamos cedo à fazenda do PP e logo partimos rumo à cima. É pedreira chegar até a pedra do grito, uma subida nada simpática com a gente, logo que a avistamos de longe como vale a pena ir mais vezes para aquele lugar. Com mochilas de ataque, em um pouco mais de uma hora de caminhada já estávamos na bifurcação entre PP e Caratuva, destino certo agora era só embrenhar-nos entre os bambus, uma praga que aos poucos está matando aquela região. Já imaginava que não seria fácil, pois, com pouca visitação, a mata se fecha, os bambus tomam conta e fica bem difícil não se machucar, mesmo um pouco quente coloquei meu corta vento para evitas as matas e os bambus cortantes. Com uma forte neblina e sem vento parecia que estava chovendo, nos molhamos muito, até minha bota estava bem úmida. Para passar entre bambus e mata fechada tinha que ser igual trator, sem dó nem piedade.
Continuamos subindo entre altos e baixos, encontramos um ninho de aranhas que acredito ser das grandes e um sapinho típico daquela região muito raro de se ver. Com a serração forte já imaginávamos que não seria possível ver nada. Chegamos ao cume falso onde é possível acampar (da para colocar umas duas barracas). E em três horas de caminhada já estávamos no Taipa. Não foi possível ver nada, nem a direção do Ferraria ou qualquer outra coisa mesmo. O importante era chegar, e chegar bem. Comemos algumas coisas, escrevemos no caderno que estava levemente molhado, pois a caixinha do cume estava aberta, provavelmente por causa do mau encaixe ou pelos fortes ventos. Curtimos o silencio da montanha e nos preparamos para voltar e fazer um novo ataque, mas dessa vez a tão sonhada Ferraria, que está na garganta há muito tempo. Descemos rápido e quando chegamos à fazenda, de longe avistamos o Caratuva todo aberto, imaginando que logo iria abrir o Taipa. O jeito é deixar para uma próxima e começar a investir mais nessas montanhas que fascinam tanto muita gente