Montanhas do Paraná e do Brasil

Montanhas do Paraná e do Brasil

Compartilhe

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Camping do Marumbi liberado

Despois de 5 anos finalmente o camping do Marumbi foi liberado.
Com uma nova estrutura e mais comodidade para quem gosta de acampar e apreciar aquela bela natureza. O camping agora está mais controlado, para acampar tem que ligar e reservar um espaço. O local suporta no máximo 30 barracas e no máximo 100 pessoas segundo pessoal do IAP. Não se arrisque ir ao camping sem antes ligar e reservar, você corre o grande risco de ter que voltar com sua mochila cargueira nas costas sem aproveitar o camping.

Uma estrutura nova foi montada, mesas, bancos de concreto e pias foram instalados. Pequenos postes de luzes ilumina a noite no camping, com opção de desligar na geral depois de um determinado horário, facilitando assim a vida de quem sobe a montanha e depois descansa. A cerca de arame que era mais próximo do banheiro ficou mais afastando, dando uma sensação de espaço. Os entulhos que estavam próximo ao camping foram retirados. O banheiro pouco mudou, tanto no masculino como no feminino algumas reformas foram realizadas, como azulejos, forros e novas caixas d´água. Acabando com aquele transtorno de acabar a água e sempre que isso acontecia, tinha que solicitar para alguém do alojamento para subir no forro e abrir o registro da caixa d´água. As casas da estação também receberam reforma. Uma delas agora virou um centro de pesquisa, o memorial  histórico está mais bonito, o alojamento dos voluntários e funcionários também recebeu novas pinturas e iluminação.

O lugar está lindo, valeu a espera, pena que no nosso país essas obras geralmente demoram muitos anos para ser concluídas. E temos as vezes que apelar para a mídia para nos ajudar a finaliza-las, pois pagamos nossos impostos para termos esses direitos, ao contrário que o governo pensa, essas obras e estruturas pertence ao povo.

Temos agora que cuidar, nada de riscar as paredes, quebrar as iluminações, destruir o banheiro e deixar o lixo no camping.  Caso isso aconteça, e que o indivíduo seja pego em flagrante ou algum delator o entregue, o mesmo vai ser notificado e pode pagar multa bem alta, fora que seu nome fica registrado no IAP e ele nunca mais poderá usufruir do camping. Portanto vamos cuidar.

Segue contato para reserva do camping

Fone 41 34623598 - Base do Marumbi.

Portão de entrada do camping
Comemoração dos 25 anos de Parque


Maior espaço entre o banheiro e a cerca
Nova estrutura, com mesas, bancos e pias e todo iluminado
Substituição da placa de localização do Marumbi
Bancos na estação
Casas reformadas, a esquerda a casa de socorro do Cosmo a direita casa pesquisa 
Pias e tomadas.
Iluminação em alguns pontos do camping

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Um sonho realizado – Janela da Conceição



Patrick, Reginaldo, Arildo e Edinaldo Couto
Na década de 1950 para a construção da Usina Hidrelétrica Parigot de Souza foi construído uma grande obra de engenharia que deixou marcas na história nas matas e montanhas da região, que abrigam curiosas estruturas em ruínas. Uma dela é a Janela da Conceição, um túnel de um pouco mais de 1200 metros de extensão. Cravadas nas proximidades das montanhas do Pico do Paraná, Ferraria e Taipa. Eu pouco conheço esse “Elo Pedido do Paraná”, mas com certeza reserva muitas histórias e lendas, que vale a pena estudar a fundo. E fazia muito tempo que eu queria conhecer esse lugar tão misterioso. No começo do ano, Edinaldo e Patrick me convidaram junto com um grupo de conhecer essa obra do homem. Infelizmente por falta de tempo e pela trilha que estava muito difícil de passar e encontrar tivemos que abortar a caminhada para a nossa segurança. E claro que um dia ou outra essa oportunidade iria bater em minha porta novamente. E bem no dia 4 de junho, um feriado, surgiu novamente a oportunidade que eu precisava para conhecer esse lugar.

Eu, Patrick um “parceraço” de montanha, Edinaldo Couto e Arildo que conhecia bem a região resolvemos pegar essa data para encarar e tentar chegar à Janela. Sabendo que o tempo era curto, partimos bem cedo de Curitiba destino Antonina – Bairro Alto. Para se chegar a esse bairro, bem antes de chegar à cidade de Antonina, pegar a estrada que segue para Cacatu/Cachoeira de Cima e segue até o final dessa estrada. Deixe o carro na fazenda do senhor Antonio.

Chegamos à fazenda umas 08h00min da manha e não perdemos tempo, começamos nossa caminhada, os mosquitos estavam nervosos e mordendo legal. Como estávamos em apenas quatro pessoas a caminhada começou a render, logo começamos a avistar o Pico Paraná e seus ilustres vizinhos do maciço Ibitirati e do União, bem como as montanhas menores que o rodeiam pelo leste e pelo norte, como o Tupipiá, o Ibitipaú, o Ibitiguira, o Jacutinga, o Saci e o Sacizinho. Em 01h50min já chegamos à primeira ponte com uma estrutura de madeira, estávamos bem adiantado. A trilha estava bem aberta, pois o pessoal do AMC (Associação Montanhista de Cristo), tinham passado umas semanas atrás facilitando nosso caminho, nesse trecho até chegar as torres de energia foi bem tranquilo, o problema era chegar até a primeira ponte de ferro. 

Chegamos à primeira ponte de ferro depois de umas duas horas e meia de caminhada. Ali mora o complicado de chegar à Janela, simplesmente aparece muitas trilhas e muitas delas leva ao erro, e a desistência, o segredo é passar entre duas grandes arvores, mas mesmo assim é preciso cuidado para não errar o caminho. Logo encontramos a segunda ponte de ferro, algumas estruturas de concreto e depois de 03h20min de caminhada chegamos à tão sonhada Janela da Conceição. Eu e o Patrick tivemos a honra de abrir a porta, pois dos quatro somente nós dois ainda não conhecia esse túnel. De cara encontramos vários morcegos que assustados voavam entre nós o tempo todo. A entrada que era o único ponto de luz da Janela logo foi ficando para trás, em alguns trechos estava seco, mas logo percebemos que não seria mais possível passar sem molhar os pés.

Chegamos ao final do túnel aonde existe uma porta lacrada, tiramos algumas fotos, e voltamos, de longe avistava apenas um pontinho de luz, era a nossa saída. Depois de ficar com os pés molhados e felizes por encontrar essa beleza. Fomos conhecer a cachoeira dos cabos, quem fica bem próximo a primeira ponte de ferro. Fizemos um lanche e partimos para o nossa caminhada final. Resolvemos dar uma parada na Piscina do Elefante. Um complexo em ruínas que mostra os sinais das comportas e saída de água em dupla tubulação que descia até a casa de máquinas da hidrelétrica. Tiramos algumas fotos e voltamos, o próximo destino agora era a Cachoeira do Saci, infelizmente eu estava com as minhas unhas do pé bem machucado, então para mim até ali já estava bom. Continuei minha caminhada até a fazenda onde estava o carro, e esperei por mais uma hora o Patrick, Edinaldo e Arildo, que foram visitar a cachoeira. Foram mais ou menos oito horas de caminhada. Conhecer essa obra do homem foi muito interessante, o que eu reconheci nisso, como naquela época, era possível construir tudo isso sem a modernidade que temos hoje. E também com o Brasil desperdiça dinheiro com obras publicas. Por mais que seja algo que está no passado e que faz parte da historia do Paraná. Isso mostra que até naquela época os políticos faziam as obras e leis sem nenhum planejamento. É lamentável isso! 



Amanhecer na serra, ao fundo Pico 7, Mãe Catira e Pequeno Polegar




Estrutura abandonada 
Ponde de madeira improvisada em dias molhados é impossível passar em pé


Ponte de ferro totalmente tomada pelo tempo

Ultima ponte de ferro antes de chegar na Janela





Maciço do Pico do Paraná


Janela da Conceição



Muitos morcegos






Porta lacrada


Mais uma estrutura abandonada



Cachoeira dos cabos

Piscina do Elefante

Na direita se avista o Leste do Ferraria.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Travessia Casa Garbers - Rio Taquari - Graciosa - Por Getúlio Rainer Vogetta

Getulio Rainer Vogetta é um dos respeitados montanhistas do nosso Paraná, conhecedor das riquezas e belezas naturais das montanhas e trilhas da serra do mar paranaense, onde nasceu o montanhismo no Brasil. Amante da natureza e de suas biodiversidades, já realizou diversas travessias de nível difícil. Membro da AMC - Associação Montanhistas de Cristo, busca sempre um contanto perfeito com a natureza. O relato abaixo é contado por ele junto com seus parceiros nessa travessia.


Toda a fonte abaixo é escrita e contada pelo montanhista Getúlio Rainer Vogetta.





 Travessia Casa Garbers - Rio Taquari - Graciosa

Por: Getúlio Rainer Vogetta


Rota de fuga empreendida como aborto da travessia da Serra da Farinha Seca...

* * *

Se tudo tivesse corrido bem o título deste breve relato deveria ser outro: Travessia da Serra da Farinha Seca. Para mim não foi assim... Segue o relato da minha pernada.

A ideia era fazer em 3 dias (feriado de Páscoa 2015) a travessia da Serra da Farinha Seca. Havia convidado o Tiago Korb com a Luciana Moro (RS) e eles o Fábio Carminatti (SC). De Curitiba ninguém dos amigos se animou a ir, então seríamos apenas nós 4 mesmo. O amigo Otávio ofereceu uma irrecusável carona de Niva até a Fazenda Garbers e lá fomos nós após o encontro na Rodoviária de Curitiba.

Saímos da Casa de Pedra já eram mais de 8h15. Subida forte até o alto do Mãe Catira, onde a trilha bifurca - pela direita, para o Pequeno Polegar, também conhecido como Popoaçu-Mirim. Dali prá frente começa a pauleira... Trilha bem mais fechada, despencando encosta abaixo até o fundo do vale, onde há um belo riacho no qual paramos cerca de 12h15 para um lanche reforçado.

Eu já não vinha muito bem desde a chegada no alto do MC. O condicionamento físico ruim aliado ao churrasco regado à algumas cervejas na véspera e... ZICA! O estômago doía, comecei a sentir câimbras nas pernas e dor de cabeça, cada vez mais fortes. No início dos sintomas não quis falar nada pro pessoal. Ficava cada vez mais atrás e percebia que eu atrasava demais o grupo, que já dava sinais de impaciência...

Tentei acompanhar o quanto pude, mas na subida pro Casfrei a coisa foi enfeiando cada vez mais. Perdemos a trilha no começo da encosta do Casfrei e tivemos que abrir no facão uns 200m até achar rastros e fitas novamente. Ali gastei energias que já não tinha mais e era questão de minutos até botar tudo para fora, por cima ou por baixo. Rsrs!

Quase no cume do Casfrei pedi pro pessoal me esperar (vinha uns 100m atrás deles na trilha). Estava mal. Queria comunicar que iria abortar a missão. Não deram muita bola e tocaram. Daí gritei mesmo de longe que iria abortar a travessia, que não estava bem, etc. Falamos de longe. Se eu não fosse com eles ainda teriam chance de pernoitar no Tapapuí e poderiam seguir com o intento de concluir a travessia a tempo de pegar o trem no domingo... Disse que eu ficaria bem e que não se preocupassem comigo. Melhor assim. Não queria estragar a travessia deles.

Resolvi que, dali, melhor seria fazer a rota de fuga pelo Rio Taquari, pelo lado oeste, uma das possibilidades que já havia vislumbrado no estudo das cartas da região e que havia confirmado com o amigo Cover dias antes...

Cheguei no fechado cume do Casfrei, onde permaneci uns 15 minutos admirando um pouco da vista que ainda restava entre as nuvens, que começavam a fechar o horizonte. Dali passei a descer pela trilha em direção ao fundo do vale antes do Monte Taquari, com intenção de sair pela direita, na bifurcação que me levaria até o Rio Taquari.

No fundo do vale percebo que o pessoal perdera novamente a trilha e abriu um lance de facão pela esquerda. Procuro um pouco e encontro rastros antigos e, logo à frente, fitas num ramal mais pela direita, pouco depois encontro uma árvore com 3 fitas amarelas marando o local da bifurcação entre a trilha principal da travessia naquele ponto e a saída para o Rio Taquari, que passo a seguir, abrindo trechos no facão, pois estava bem fechada. 

Logo caio num pequeno afluente que segue em direção ao Taquari, que sigo pela margem direita até quase chegar na calha principal do Taquari, onde encontro uma clareira e monto meu acampamento com a rede. Emergência gástrica seguida quase que de imediato de outra emergência, desta vez intestinal e deixo uma boa carga de adubo na serra, mas bem longe do rio, a qual enterro. Já me arrasto segurando nas árvores! Me sinto desidratado.

Apesar da fraqueza não consigo comer. A sensação e de que se colocar algo na boca vai virar tudo pelo avesso... Tomo água (bastante) e preparo uma dose de sal de fruta efervesceste, que desce causando grande alívio. Um Engov e uma Aspirina completam a medicação. Escurece e a "mosquitarada" não dá sossego. Mudo de roupa e me recolho para o interior da rede e mosquiteiro. Antes de dormir, com sinal de celular, ainda ligo em casa e aviso que não estou muito bem e que estaria retornando. Logo após, capoto igual a um tronco podre... Rsrs!

Sábado, 9h30 da manhã... Sol alto, acordo de sobressalto. Um barulho que parece um enxame de abelhas, uma espécie de ronco. Espreito pelo mosquiteiro e não vejo nada. Boto a cabeça para fora da rede e vejo um bando de beija-flores em voos rasantes em meio às árvores, pousando e pairando sobre várias bromélias próximas, onde bebem a água armazenada em suas folhas. Cena bem interessante e que nunca tinha visto, especialmente pela quantidade de pássaros.

Mais tarde, consegui comer uns biscoitos de aveia que levei. Tomei um banho gelado no rio para ver se animava, e nada. Outro sal de fruta, outro Engov e só umas 2h depois disso é que consegui me animar (recompor as energias) para levantar acampamento, mas ainda com aquela sensação ruim no estômago. Comi um pedaço de provolone e quase voltou. O que salvou o dia foram os sachês de gel energético, que deram uma equilibrada e não me azedaram o estômago. Com eles me mantive em pé no sábado.

Daí comecei a descer por dentro do Rio Taquari. Pelas margens era impraticávelQuiçaça muito fechada, daquele tipo mais fininho e entrelaçada, às vezes espinhenta, quase impossível de abrir no facão e o terreno muito irregular, cheio de afluentes pequenos e gretas nas margens dos dois lados. Pelo leito do Rio, apesar do risco de quedas (pedras bem lisas em vários trechos) a progressão era mais rápida e menos sofrida, mas mesmo assim alguns tombos e caneladas nas pedras, especialmente no sábado á tarde, pois ainda estava bem fraco. Para ter uma ideia, andei apenas pouco mais de 700m neste dia. 

Acampei cedo no sábado (estava acabado) em outra clareira nas margens do Taquari, mais abaixo. Nesta altura faltavam 1,6 Km (em linha reta) até chegar na Estrada Velha da Graciosa. Mal conseguira comer durante o dia, passei à base de gel. A sensação era de que se comesse, voltaria tudo...

À noitinha, depois de descansar um pouco na rede, bateu uma fome violenta e aí sim, me sentindo melhor, consegui comer. Fiz aquela janta (polenta cremosa, queijo e calabresa) e mandei tudo pra dentro (porção dupla). Era 8 ou 80! Ou comia algo substancial e me fortalecia ou ficava por lá mesmo! Meia hora depois já me sentia melhor e as energias voltando. Me embalei na rede e capotei. Fui acordado de madrugada por um tamanduá que veio fuçar nas minhas panelas... Deixou elas limpinhas!

Domingão começou cedo, eu, renovado depois do sono e da janta, aquele café capuccino com salame e queijo e bora! Não antes de pegar uma chuvinha que caiu bem na hora em que estava desarmando acampamento... Já que estava molhado mesmo, lá fui eu e me meti dentro do rio. Até nadei em uns dois trechos mais fundos, empurrando a mochila. Dois trechos mais íngremes e "encachoeirados", adiante, impossíveis de vencer por dentro do rio ou nas margens me obrigaram a contornar saindo do rio. Isso significou quase 2h de luta com a quiçaça braba para andar pouco mais de 300m no total.

Pausas apenas para comer algo e pau. Às 16h, depois de andar praticamente 1,5 Km dentro do Rio Taquari naquele dia, chego ás margens da Graciosa e estou preso! Dou de cara num sítio, com uma enorme cerca de tela e arame farpado que não tinha como pula
r! Vou seguindo a cerca e acho uma casa (cheia de cachorros) e sem ninguém. Um portão de madeira, de uns 3 metros de altura era a única saída dali. Estava trancado e para subir nele era difícil, não havia ripas ou pontos de apoio para por o pé e subir nele para pular do outro lado. Só um pequeno trinco e uma corrente cadeado. Subi nela, pendurei a mochila no alto do portão pelas alças e me alcei para cima. Quase fiquei entalado com uma perna numa das frestas... Nisso, o ônibus turístico da Graciosa passa, bem na minha frente! Bom, pensei, ainda tem o outro (que passaria por volta de 17h, mas a cerca de 2,5 Km de distância. 

Consegui me desvencilhar do portão e sair na estrada. Pau! Toquei andando rápido pela estrada, parando numas moitas logo depois da ponte do Rio Taquari e troquei de roupa. No estado que eu estava não me deixariam nem entrar no ônibus. Passo a caminhar pela Graciosa velha, sentido Graciosa Nova, para chegar no trevo até às 17h. Sol rachando mamona e são 16h55, estou quase chegando, passando pelo arco de pedra e, nisso, o ônibus Morretes-Curitiba via Graciosa passa (eu ainda do outro lado da pista, a uns 50m). Fiz sinal e nada, o motorista nem olhou. Passa reto e vaza. 

Beleza, já estou ferrado mesmo, agora ferrado e meio... Vamos tentar uma carona então. Difícil, mas ... 

Sigo caminhando, agora pela Graciosa Nova, sentido BR-116 - posto da Polícia Rodoviária, que está a cerca de 2,5 Km do trevo Graciosa Nova x Velha. Faço sinal, especialmente para as caminhonetes, pois com aquela mochila suja e molhada dificilmente alguém me deixaria entrar no carro. Nada. Todos passam voando, se pudessem passavam até por cima de mim no acostamento...

Paro numa bodega na beira da estrada e compro uma cerveja, Skol por sinal (a única marca disponível) e que nunca desceu tão redonda... O tiozinho me confirma que o ônibus que vem de Terra Boa (via BR-116) passa cerca de 18h-18h10 no trevo da BR com a entrada da Graciosa. Estou a 1,5 Km deste ponto e são 17h25, dá tempo, então me despeço e sigo em marcha acelerada. Desisto de tentar carona para não perder mais tempo.

Chegando perto do posto da Polícia Rodoviária aquela fila de carros. Os guardas haviam parado um grupo de motoqueiros e a pista estava fechada por alguns momentos. Eram 17h50, faltava pouco para o ônibus passar e eu ainda teria que passar pela “muvuca” do posto policial, atravessar a BR e me posicionar no ponto, na beira da rodovia para conseguir ser visto pelo ônibus.

Nisso a fila de carros começa a andar e começo a ouvir um burburinho logo atrás de mim, logo umas buzinadas e vejo um rosto familiar... Nossos amigos Evelyn e Papael no "papamóvel" Celta me reconhecem e gritam "esse é dos nossos - pare aí que você me deve um mate!!!" e foram encostando o carro logo na frente do posto policial. Adeus ônibus. Os dois vinham do Marumby, onde estavam desde sexta e me contam que nos esperavam ansiosos para o mate que eu havia prometido para o domingo, quando chegássemos da travessia, que sabiam que estaríamos fazendo... Ambos saltam do carro para me cumprimentar e me oferecem uma bem vinda carona para Curitiba.

Não deu desta vez, mas a Farinha Seca está lá, firme e forte. Os parceiros de trilha já haviam concluído a travessia e embarcado no trem para Curitiba (recebera mensagem do Tiago momentos antes enquanto caminhava pela estrada). Os dois lamentam e me cumprimentam novamente. São velhos e bons companheiros de outras tantas pernadas. Embarcamos para Curitiba. Os guardas e outros motoristas que olham ficam sem entender nada. Coisas de montanhistas!

No caminho vou sendo informado das fofocas quentíssimas do feriado. Planos para outras investidas na Farinha Seca já são traçados. Erros são avaliados e reavaliados... Assim caminha a vida na serra e suas cercanias!

Na próxima pagarei o mate pessoal, aguardem!

Foto Getúlio Rainer Vogetta: Descendo para o Popoaçu-Mirim (Pequeno Polegar)


Foto Getúlio Rainer Vogetta: Rio Taquari
Foto Getúlio Rainer Vogetta
Foto Getúlio Rainer Vogetta: Acampamento
Foto Getúlio Rainer Vogetta: Abismo entre o Popoaçu-Mirim e Mãe Catira, Pico 7 a direita.
Foto Getúlio Rainer Vogetta: Popoaçu-Mirim (Pequeno Polegar)
Foto Getúlio Rainer Vogetta: Degraus encachoeirados do Taquari 
Foto Getúlio Rainer Vogetta: Vale das Arvores
Foto Getúlio Rainer Vogetta: Final da travessia, chegando num sítio à beira da Graciosa Velha
Foto Getúlio Rainer Vogetta: Picos da Farinha Seca, Mãe Catira esquerda e Pequeno Polegar a direita.