Montanhas do Paraná e do Brasil

Montanhas do Paraná e do Brasil

Compartilhe

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Pico Ciririca - parte 2






Antes de chegarmos no rio da ultima chance os montanhistas que ficaram para trás na Cachoeira do Professor, nos alcançaram e seguiram seu rumo.
Depois de rasgar toda mata com dificuldade, passar por rios e cachoeiras, e desviar de bambuzais, enfim chegamos na rampa que leva ao pico Ciririca, uma montanha desafiadora, extremamente difícil e pouco visitada.
A longa serra da Graciosa estava em nosso pés, distante se enxergava diversas montanhas numa pequena janela, pois a serração estava engolindo todo verde que encontrava, Tucum/Camapuã, eram as únicas montanhas que se podiam ver mas próximo, era possível também ver uma parte da rodovia que está longe, muito longe.










Lembro de meu amigo Rodrigo Barbosa que disse na ultima vez que esteve la "Dava vontade de sentar e chorar". E estávamos prestes a fazer isso também. Estava muito cansado, não somente eu mas Patrick sentia também o cansaço. Uma rampa íngreme que levava até a base do paredão da montanha. Ainda era possível enxergar o paredão do Ciririca distante de nós e era possível ver os montanhistas escalando a montanha meramente distante de nós. A serração começava a cobrir tudo, já não era mais possível ver o verde da Serra do Mar. Fizemos uma pequena parada para um lanche rápido, pois já estávamos a 7 hrs caminhando e o desejo de conquista aumentava cada vez mais.
Não se via mais nada, não sabíamos mais onde estávamos indo, era só subida e mais nada.




Até a base da montanha somente caratuvas e matas auxiliares típicas da região, estávamos a mais de 1300 metros de altitude, faltava apenas um pouco mais de 400 metros, mas parecia 4 mil metros, o psicológico estava tomando conta um pouco, mas nada impedia de continuar.
A serração aumentou e para ajudar um chuva começou a cair, era chuva da própria serração. As pernas já não respondiam mais.
Continuamos nossa incansável caminhada, chegamos no paredão onde no começo conseguíamos enxergar outros montanhistas que já estava longe. Um paredão sem escada, sem corda, sem nada.





O jeito era deitar bem o corpo na rocha e se firmar bem para não escorregar. Nos agarrávamos em alguns trechos, e com muito força íamos conquistando cada metro da rocha, não tínhamos noção de altura pois a serração já estava muito forte.





A chuva aumentou, o cansaço simplesmente tomou conta, Wil que esta na frente sumia na serração, olhei para o Patrick e vi no rosto a vontade de desistir, mas tinha certeza que não era isso que iria acontecer. Assim como Wilderson que já estava bem distante de nós eu e Patrick tínhamos apenas um certeza chegar logo no cume da montanha em seus 1760 metros de altura. O vento também soprava forte, e a cada passo a persistência de chegar.



Logo avistei Wil jogando a mochila no chão com raiva, chegamos no marco dos 1760 metros de altura. Mas logo veio a pergunta, onde estão as placas? Com desespero irreconhecível Wil desabafa, "pegamos alguma trilha errada, ou ainda existe um longo trecho para percorrer". Patrick desaba no chão, eu simplesmente olho para pequena clareira na intenção de montar a barraca e ali ficar até amanha cedo, pois a serração e a chuva não deixava enxergar nada. Comecei a gritar para saber se alguns dos montanhistas que já estavam la respondiam, mas não se ouvia nada, pois o vento não deixava chegar o som.



De repente Wil coloca a mochila nas costas nos encorajando, Patrick que demonstrava cansaço do nada levanta, a adrenalina aumenta nas nossa veias e continuamos na caminhada, sem saber se ainda faltava muito ou não. A mata simplesmente se fechou, os galhos batiam no rosto e no corpo todo, Wil simplesmente grita, "avistei uma sombração". Era a imensa placa do Ciririca, a segunda provavelmente estava próximo, pois é o um ponto de clareiras boas para acampar. E mais 5 minutos estávamos finalmente no nosso destino. As placas estão alguns metros abaixo no cume do Ciririca, mas é dali que tem o melhor visual de tudo. Embaixo da neblina e garoa montamos acampamento, outros três montanhistas já estavam instalados la sendo que um deles era de Rio Grande do Sul. Nos cumprimentamos melhor, batemos uma ligeira conversa e fomos para a barraca do Wil, onde preparei um bom rango.



Arroz, macarrão, bacon e calabresa, Wil trouxe uma lata de dobradinho e misturamos tudo, ficou muito bom eu chamei o prato de "ultima chance ao molho". Patrick trouxe um vinho que não deu nem pro cheiro, e ele logo foi deitar, como trouxemos apenas 2 barracas, fiquei na do Wil, conversamos um pouco. A caminhada durou um pouco mais de 8 horas, estavamos muito cansado, a chuva aumentou la fora, parecia que não teríamos o gostinho do visual ou ver o sol nascer, mas o importante era a conquista da superação e vitória. Logo pegamos no sono, mesmo dormindo em cima de um pequeno barranquinho que me incomodava, precisava descansar para a volta.
Pois toda ida tem sua volta.

Continua...