Montanhas do Paraná e do Brasil

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quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Travessia 7 cumes - Por Edinaldo Couto

Texto e relato: montanhista  Edinaldo Couto 








Vanderlei, Edinaldo e Daniel ao fundo Pico do Parana Vista do Tucum



Relato da travessia dos 7 cumes da serra do mar do Paraná 


1° dia
Já faz um certo tempo que não fazia uma pernada das boas, eu, Daniel Fernandes e Vanderlei de Castro, dias antes, em negociação dos devidos alvarás de soltura, e liberações de troca de escala no serviço e no meu caso uma autorização pra sair mais cedo do serviço, nos encontramos ás 07:30 na casa do pai do Daniel, com o devido apoio do nosso amigo de longa data Renato Possane, que nos deu o devido suporte até a chácara da bolinha em Campina Grande do Sul, onde nossa jornada começaria. Depois dos devidos preparos nas mochilas e a preocupação da falta de água no trajeto, já que fazia mais de 50 dias que a serra não via uma chuva tão volumosa, saímos praticamente carregados, com excesso de peso como sempre, e com um calor de 24 graus. Começamos tarde a caminhada de passos lentos a passos lentos, fomos até a bifurcação que divide as trilhas, pegamos sentido a rampa do 1C, ou seja o Morro do Camapuan que com seus 1.706 mts de altura, foi galgado com algumas paradas pra fotos e curtir o visual que estava sensacional, no cume uma pequena parada e já descemos sentido ao nosso próximo objetivo o 2C. O morro Tucum com seus 1.720mt de altura, com certeza uma das melhores vista da nossa serra, e com uma janela ao nosso querido Pico Paraná que dá vontade ficar por ali, batido as devidas fotos e um pequeno reforço no lanche, partimos então pirambeira abaixo, na direção ao famoso paredão do Tucum que descendo dá acesso a floresta e a encosta do nosso próximo objetivo o 3C, o Morro Cerro Verde, aqui um adendo, uma trilha bem complicada devido ao sobe e desce em meio a um mato super fechado, com cargueira cansamos muito com tanto mato enroscando em tudo, e por fim vencido a dificuldade, chegamos ao ponto de acampamento, onde depois de montado, degustamos de um excelente arroz carreteiro e um purê cremoso com calabresa, e claro um pouquinho do chimarrão que nosso parceiro Vanderlei havia levado. Nessa noite tivemos um céu de brigadeiro, super estrelado e o nascimento da lua foi espetacular, nos retiramos então depois de um tempo cada um pra sua suíte presidencial, o sono foi tranquilo, com alguns animais pequenos rondando as barracas a procura de comida fácil.

2º dia
Acordei com o cheiro de café Melita que nosso amigo Vanderlei já estava fazendo, um amanhecer um pouco gelado, enrolações a parte, despertamos, e arrumamos o acampamento, e claro observando o nascer do sol atrás do Majestoso Pico Paraná, sem palavras vivenciar isso: partiu o 4C do dia, o Morro Itapiroca com seus 1.805 mts de altura, aqui também vale um adendo: trilha mega fechada, muita quiçaça, capim alto, bambus fogo, a cada passo dado voltava-se 2 pra trás, tudo enroscava, um pouco mais frente a trilha para o Pico Taquaripoca que fica exatamente atrás do Cerro Verde, era nosso objetivo paralelo, porém com a questão de falta de água, resolvemos tocar o 7C original e deixar este pra um ataque próximo, galgamos então o cume do 4c, um calor intenso, suavizamos bicas de água, e aqui mais uma vez mudamos o caminho, a ideia era seguir até o A1 e subir pela trilha da conquista o cume do 5C, o Caratuva, o 2 Morro mais alto da região com seus 1.850mts, porém sabendo da falta de água, decidimos descer o Itapiroca pela trilha normal e na chegada da bica, fizemos nosso almoço: feijoada com risoto e um cafezinho pra nos alegrar, aproveitei o momento pra dar uma higienizada na máquina, enfim, tomamos o rumo cruzo do 5c, o Caratuva, acabei saindo na frente dos outros e com muito calor, e algumas paradas pra respirar, finalizamos o cume do Caratuva. Algumas fotos e partiu o destino ao nosso próximo objetivo o 6C o cume do Taipa-buçú com seus 1727mts de altura, fizemos pela crista que liga o Caratuva ao Taipa, vale salientar que a descida do Caratuva pela Crista é bem complicada pra iniciantes ou mesmo “trilheiros” acostumados, qualquer falha, você desce rolando a “pedraiada” que tem ali, alguns pontos cansativos, a pedra do saco e algumas fendas no caminho. Nos colocavam em cuidado absoluto, sobe e desce, um mato dos infernos, ou melhor servos do capeta que nos agarravam com vontade, fazendo nossa travessia demorar um pouco, um pôr do sol sensacional , um mar de nuvens pouco visto por mim nas últimas trips, e por fim galgando por mim talvez uma parte bem complicada, afinal você sobe um paredão de terra somente com a ajuda dos matos ao redor. Talvez futuramente uma corda possa ajudar a dar mais segurança, por fim galgado o cume onde acampamos, salientando que 3 barraca tranquilo no local, mais um céu de brigadeiro, nesse dia eu estava muito cansando, então dormi super cedo, claro antes um excelente janta.

3° dia e ultimo dia
Acordamos cedo, colocamos nosso acampamento abaixo, depois de um excelente café, ovos com queixo e bacon e claro um cafezinho feito na hora, fomos galgar o 3 cume do taipa, uma subida do “dianho”, torcendo pra que o mato aguentasse , foi, e já descemos pro vale do temido Ferraria, uma descida relativamente tranquila, trilha está bem marcada e aberta, a subida achei bem tranquila, apenas a parte que antecede o cume, a temida chaminé, que você sobe com a ajuda de cordas, logo acima algumas pedras pra você subir e por fim o cume temido pra alguns do 7C, com seus 1.745 mts de altura. Almoço feito, mandioquinha com arroz e um tang pra reforçar a parte mais temida da travessia, a crista leste, sem visual nesse dia, pouco vimos do cume do ferraria, porém me enamorei com um conjunto de montanhas que fica na direção da serra do Capivari, a serra da Bocaina, que o seu cume maior galga os 1500 mts de altura, em breve estarei “pernando” naquela direção; enfim, mochilas arrumadas começamos a descida, que por sinal é uma pirambeira em meio a barro e mato, tenso. Conseguimos com cuidado e paciência, chegamos a uma parte plaina e conseguimos andar um pouco mais, porém um certo momento, pra nossa sorte, chegamos a uma bica de água, pense na felicidade, recarregamos nossos suportes e tocamos pra onde mesmo ? A trilha sumiu, e com um pouco de direção, seguimos pra direita subindo a bica, chegamos na parte mais temida o famoso degrau do ferraria, pensa em uma “piramba” em queda livre, uma corda toda corrida pelo tempo, que não confiei nenhum pouco, como tinha comprado uma corda nova pra uma possível ajuda. Descemos primeiro todas as mochilas por questão de segurança, momentos tensos de verdade, e chegamos na parte final do degrau, colocamos mais uma corda devidamente amarrada numa árvore mais firme, já que a outra está bem velha e com muito limo, desceu primeiro o Vanderlei, depois eu com muito cuidado e por último o Daniel, pronto havíamos descido o temido degrau. Vale salientar que o último degrau pra quem desce, ou você desce estilo rapel chapando o pé na pedra ou você desce de barriga segurando na corda, mas ralando tudo, e pra quem sobe, realmente o pé não alcança, por isso parceria é tudo nesse lugar. E fomos de metro a metro galgando toda a crista leste, porém com a noite chegando, resolvi pegar minha lanterna e tirei minha máquina fotográfica do pescoço, onde constava todo o relato fotográfico, e tocamos rumos estrada da cotia, chegando ao final notei a falta dela. Guerreira que ficou a 3 anos comigo, com certeza alguém que descer ou subir encontrará a mesma pra quem desce provavelmente 1 hora antes do final ou 1 hora no começo. Faltando 4km pra terminar a travessia, estávamos esgotados, por fim chegamos na fazenda, onde nosso resgate não estava, o que nos fez andar mais 1km até o ponto de ônibus, onde eu sentado, vi o salvador vindo; que alívio findava-se ali o fim da nossa travessia, agora também fazemos parte do seleto grupo que também findou o 7C.
































Observação; muito lixo nas trilhas citadas, principalmente papel higiênico e lonas jogadas em qualquer lugar e fezes expostas. Um absurdo o que está acontecendo nas trilhas, muita gente sem noção e sem educação.







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