Montanhas do Paraná e do Brasil

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segunda-feira, 16 de abril de 2012

O começo do mundo

Esse foi o titulo com o qual um dos hospedes da pousada Flor da Serra definiu Guaraqueçaba: “estou no começo do mundo”. Para mim um dos lugares mais belo que já vi. Eu e minha esposa estávamos marcando esse passeio há muito tempo, somente nos faltava coragem e vontade de viajar para um lugar tão distante. Guaraqueçaba é considerado o município de maior dificuldade de acesso. Para chegar lá há três opções: de barco, que leva 2h e 30 minutos, de ônibus ou carro que pode chegar a 5 horas de viagem, ou se você tiver dinheiro de helicóptero. Para ir de barco, precisa chegar antes das 9 da manha, as vezes o barco sai lotado e se você perder esse barco, somente às 13 horas, portanto se for pelo mar chegue uma hora antes. O passeio é longo, e precisa de paciência e, por sinal, vale a pena. O visual é lindo e é possível ver até golfinhos. De carro ou de ônibus não sei como é, mas dizem que é bem difícil e de helicóptero, sem chance (é somente uma piada não tem como ir de helicóptero)! A outra opção é ir de bike, mas prepare as pernas!

Eu minha esposa e meu filhão resolvemos aproveitar o feriado da páscoa para fazer esse passeio. Passagem comprada, contato com o pessoal da pousada, algumas informações e partimos bem cedo. Meu irmão usou sua generosidade e bondade de acordar cedo e nos levar para a rodoviária. A viagem até Paranaguá foi bem tranquila, chegamos ao trapiche de embarque que vai para outras ilhas e Guaraqueçaba. Uma boa dica: chegue uma hora antes e fique na espera, pois você pode ficar de fora ou pegar um lugar ruim no barco. Saímos às 09h10min de Paranaguá, no caminho encontramos barcos, ilhas, navios que saiam do porto e muitos golfinhos, os quais eram possível ver de longe. No horizonte avistava as serra do Ibitiraquire e o pico Torre da Prata, devastada pelas fortes chuvas do ano passado.

Chegamos a Guaraqueçaba às 11h30min e logo fomos muito bem recepcionados pelo Odyr, dono da pousada que nos mostrava alguns lugares para visitar, como um bom restaurante, o melhor lugar para visitar, a cooperativa dos artesãos de Guaraqueçaba, alguns pontos turísticos, o mercado que não se deve comprar nada, etc. Bom, Guaraqueçaba é uma cidade pequena, mas bem confortável, tem tudo o que você precisa.

Chegamos logo à pousada, montamos nossas barracas e percebi que o Vini e a Pequena estavam com fome e demoraria muito para fazer um almoço, então, deixamos as coisas e fomos almoçar no restaurante que o Odyr me indicou. Excelente refeição e não é tão caro. Almoçamos bem, com direito a camarão “a lá vontê” e peixe. Meu filho e minha esposa adoraram. Tomamos aquele "refri" que encontramos somente em cidades pequenas.

Voltamos para a Pousada Flor da Serra e, a propósito, se você for para Guaraqueçaba, gosta de sossego e natureza vale a indicação, pois é a única pousada que fica numa área verde que está protegida pelo Ibama. A hospitalidade do Odyr e da Carmem é algo magnifico. Nos sentíamos em casa. A Pousada Flor da Serra é um lugar limpo, organizado, simples que combina com a natureza, com uma deliciosa piscina e um café da manha maravilhoso. O mais incrível é a forma como somos tratados pelos donos, que nos chama sempre pelo nome. A pousada para mim já é ponto de referência de descanso para minhas próximas férias.

Fomos conhecer o lugar. Conhecemos a cooperativa dos artesãos aonde paramos e compramos algumas coisas bem legais, o trapiche e o centro de Guaraqueçaba, passeamos pela calçada onde tem uma vista linda e um pôr do sol encantador e de onde era possível ver golfinhos também. Voltamos para a pousada para descansar, amanha iriamos conhecer o Salto Morato.

No dia seguinte depois de um maravilhoso café da manha e de um almoço feito por mim, começamos a nos preparar para o passeio. Conheci dois novos amigos, Junior e Francieli, com os quais dividimos a viagem, jamais imaginava que esse casal iria nos salvar mais para frente. Afinal, sempre acreditei que quando fazemos o bem o recebemos de volta, como um circulo do bem.

Salto Morato fica numa reserva protegida por lei e pela Fundação O Boticário e tem uma boa estrutura. Para entrar na reserva se paga uma taxa de R$7,00 ,porém estudantes com carteirinha e menores de 12 anos paga meia. No inicio se assiste um vídeo sobre a reserva, o salto e a trilha da figueira, um vídeo rápido de no máximo 15 minutos. Na reserva não tem restaurante nem lanchonete, portanto, é bom levar lanche, água tem sem problema. Para você chegar à reserva tem que ser de carro próprio, ou, contratar um tur e a pousada Flor da Serra tem essa opção que vale o preço, no passeio Odyr nos faz viajar pela história. Até chegar à reserva são muitas histórias. A trilha para o salto é bem tranquila e rápida. Em 10 minutos você passa pelo aquário natural e mais uns 10 minutos você já chega à cachoeira. Salto Morato é uma queda de 120 metros de altura, é possível chegar bem pertinho dela, mas não recomendo, porque as pedras são lisas e a água é bem gelada, sem contar com o risco de algo cair na sua cabeça. Meu filho e minha esposa estavam encantados, Junior e Francieli também. Tiramos muitas fotos e voltamos, demos uma parada no aquário natural, onde o Vini brincava com os peixinhos. Voltamos para pousada.

No domingo era hora de voltar e a aventura não iria acabar tão cedo. Junior e Francieli nos ofereceram uma carona de Paranaguá a Curitiba. Como tinha comprado as passagens antecipadamente precisava fazer a devolução das mesmas, na rodoviária de Guaraqueçaba estava um casal desesperados para comprar passagem e não tinha mais, então vendi minha passagem para eles e somente precisei trocar uma. Chegamos ao trapiche e logo compramos as passagens de travessia. O barco estava lotado. Na saída o primeiro susto. O barco rapidamente precisa voltar porque estava entrando água e tivemos que sair do barco e esperar uma solução. Problema resolvido, mas deixando umas boas pulgas atrás das duas orelhas. Com um pouco de medo e receio, brincava dentro do barco para espantar a preocupação. Já avistava no horizonte a forte chuva que estava chegando, essa era o segundo susto. Quando chegou, não era uma chuva e sim uma tempestade forte, o barco virava de um lado para outro, a impressão era de que iria afundar a qualquer momento e muitos já estavam até de colete. Logo já vimos um barco de apoio nos acompanhado, era algo a mais para nos preocupar, mas deu tudo certo. Em menos de duas horas e meia já estávamos em Paranaguá. Com a carona do Junior e da Francieli chegamos rápido em Curitiba.

Um passeio de grandes emoções e fortes aventuras. Conhecemos dois novos amigos aos quais tenho muito que agradecer, e uma pousada diferente de todas que já conheci. Guaraqueçaba é linda, diferente de todas as cidades do Paraná. Deus colocou nessa cidade toda sua inspiração de beleza.



Agradecimentos

Obrigado Odyr e Carmem pela hospitalidade e pela paciência de nos passar todas as informações sobre esse paraíso antes da viajem.

Junior e Francieli pela confiança e pela carona, que nos proporcionaram.
Muito obrigado a todos. Creio que fiz novos amigos nesse que é o começo do mundo.




Torre da Prata

























Salto Morato

Junior e Francieli


Aquario natural






Odyr e Carmem donos da pousada



E a tempestade


3 comentários:

Endrio disse...

Muito Bom

Sou morador de Guaraqueçaba, achei impressionante sua descrição de nosso Municipio, me lembrei quando vim morar aqui no ano de 2006, admiro muito esta cidade, pela preservação e principalmente pelas pessoas que moram aqui, que ainda fazem mais belo o lugar, sejam felizes no seu retorno nas suas ferias, a sim, programem a viagem de barco sempre pela manhã...vão evitar alterações climaticas no mar desta intensidades.. Felicidades

Endrio disse...

Belo comentario

Junior Costa disse...

Belo relato , família é a base de tudo , abraço.