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Montanhas do Paraná e do Brasil

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quinta-feira, 3 de julho de 2014

Agulhas Negras e Travessia Serra Negra - Parte 2

20/06/2014 - Ataque ao Agulhas Negras - Via Bira Bira
Da esquerda para direita: Pallú, Mario, Sergio, Mércia, Vivi,
Reginaldo, Evaldo e Terezinha
Depois de uma longa viajem sem problema, e na incerteza de um lugar para acampar na qual recebemos um presente de Deus nos instalado na chácara da dona Olímpia e do senhor Lourival. Era hora de nos programar para o dia seguinte. Toda a equipe já estava reunida e preparada para o próximo dia. Pegamos mais alguma informação com o senhor Lourival. Marcamos de acorda bem cedo para poder chegar à entrada do parque e não ficar de fora, pois não estávamos de brincadeira, não sabíamos qual a possibilidade de ficar de fora, sendo que o numero de visitante era de no máximo 100 pessoas segundo informações que tínhamos. Na pousada dos Lírios já tinha um grupo de mais de 40 pessoas que ia ao mesmo dia que a gente. Então imagina você viajar toda essa distância e chegar na entrada de um parque e não poder passar por algum motivo, então não pensamos duas vezes, acordas as 03h00min da manha. 





Um cachorro nervoso perturbou a noite inteira, dava vontade de levantar e o mandar ele ficar quieto, fomos dormir muito cedo, não é de o meu costume dormir nesses horários que passa o Jornal Nacional, mas logo apaguei assim como meus amigos. A noite não estava fria como era de se esperar. Logo acordamos decidimos fazer um café na portaria do parque, saímos e fomos em direção.  Chegamos à entrada, éramos os primeiros a chegar, tomamos um café tiramos algumas fotos e assim que o parque abriu fizemos nossa inscrição. Uma dica para quem for subir o Agulhas, caso você enfrente o pico sem guia, vale orientar que eles não permitem passar sem equipamentos de escalada. É necessário, corda, mosquetões, cadeirinhas de escalada e freio. E não adianta dizer que tem, eles bateram geral em nosso equipamento antes de entrar.




Com a gente estava tudo certo, logo chegamos ao abrigo Rebouças, fizemos mais um lanche rápido e bem quente, pois estava um pouco frio e partimos para a trilha. No começo da trilha estava tudo fácil, de longe já avistávamos o Pico das Agulhas Negras e mais distante ainda o Cume da Pedra do Couto e Prateleiras.  Logo chegamos à rampa inicial da montanha, um pouco mais inclinado que o Anhangava, talvez uns 45° ou até mesmo 60°. Uma verdadeira "escalaminhada" cume a cima. Depois de um pouco mais de uma hora, encontramos nosso primeiro desafio, começamos a escalar rochas através do vale aberto na montanha, subíamos e subíamos entre rochas e paredes. Com muita ajuda do Mario e também do Evaldo que ambos tem boas habilidades de subir rochas, fomos então abrindo caminho. As dificuldades eram muitas, os obstáculos também, descobrimos então que estávamos em outra via de escalada, e era a menos frequentada, essa via precisa de experiência em escalada, e isso de certa forma tínhamos. 

Preservar é bom


Estávamos com bons equipamentos e ótimas pessoas que encarava aquela montanha com respeito. Logo eu e o Sergio deparamos com um problema, um trecho exigia passar num buraco aberto pela natureza formada pelas quedas das rochas durante milhares de anos, tanto eu quanto ele era os mais grandinhos e passar por aquele buraco não ia ser tarefa fácil, eu acreditei e passei pelo buraco, mas com muita dificuldade, o Sergio já teria que escalar. Passamos e continuamos, as dificuldades logo ia aumentando, já estávamos na trilha a mais de 5 horas, perdemos tempo em um trecho, o vento às vezes encanava na gigantesca fenda e o corpo gelava de repente.  As meninas seguia a toda força, guerreiras e sem medo, subia os trechos com toda valentia de uma mulher montanhista.  A “escalaminhada” estava cada vez mais pesada, os braços já não estavam com toda a força. 

Vivi e Terezinha no início da trilha

Nosso destino, cume Agulhas Negras
Início da subida, paredão de 45° a 60 °


Escalaminhada
Ao fundo Prateleiras



Logo chegamos num trecho que mais parecia uma chaminé, ou passava por mais um buraco ou escalava, eu não sou mais um escalador, há muitos anos parei com essa atividade, então o certo era passar pelo buraco novamente, não parecia ser mais difícil do que o outro que passamos, engano meu. Meu erro foi não tirado meu fleece, ao passar nesse buraco enroscava igual uma lixa, com a ajuda do Sergio, usava seu ombro para ter força para subir e o Evaldo puxava do outro lado. Sabe aquelas rolhas de vinho, então, foi bem parecido, achei que ia ficar preso, mas com um pouco de calma tirei meu braço que estava em baixo do meu corpo e com apoio dos meus dois amigos consegui sair. Estávamos agora numa base, já era possível ouvir a gritariam de outras pessoas que já estava no cume.  Dessa base já tinha dois caminhos ou continuava a fenda e saía próximo ao livro do cume ou subia a esquerda num paredão escalando mais um pouco e chegava ao cume. A incerteza era grande, então resolvemos pegar a esquerda, Mario fixa a corda num grampo e subimos até a parte final, mais uma "escalaminhada" e já era possível avistar o cume. Tinha muita gente no cume tirando fotos e festejando e nós ainda saindo do “buraco”.
O começo do Bira



Entre dois paredões, é assim até o final
Depois da passagem do buraco
Penúltima escalada, trecho final do Bira
Base final, a partir daqui ja é possível ouvir a gritaria de muitos que estão no cume
Nesse trecho você escolhe, a esquerda ou segue em frente pela fenda do Bira sua parte final é o livro
Estávamos cansados, apreensivos e felizes por ter atingindo o cume das Agulhas Negras. Alguns voluntários do parque nos dava orientação e um deles me disse que a via que fizemos era a Via Bira Bira ou somente Bira. É a segunda mais difícil só perde para a via dos Estudantes.  O tempo estava curto, chegamos muito próximo as 14h00min horas, não era mais possível fazer a travessia entre os dois cumes e chegar ao livro. O bom que deixa um gosto de quero mais, e voltar lá para fazer essa parte que faltou.  Fazer a Via do Bira foi muito emocionante, difícil, porém superável. Nada se iguala o que fizemos, superação total. Pois é uma via difícil e poucos se habilitam de fazê-la.  Guia local mesmo a evitam. No cume um dos voluntários do parque até nos parabeniza.
Cume do Agulhas Negras
Vivi e Sergio no Cume
O Livro do cume está logo ali
Nosso retorno pela via normal

Descida pela rampa - parte final
Após um lanche rápido, tiramos algumas fotos e começamos a descer pela via normal, no primeiro trecho tem dois lances de corda, mas nada muito difícil de fazer. Começamos a descer o vale normal e logo chegamos à parte onde é necessário um rapel, tinha muita gente para descer. Os guias locais auxiliavam os turistas na decida com cordas. Cada um descia do seu jeito, um com medo outros com receio de chegar à base, era sangue nos olhos. Trilhamos na lateral da rampa até chegar nesse paredão de mais ou menos 10 metros de altura.  Sergio pergunta para um dos guias se podíamos descer a corda sem precisa fazer rapel. A sua informação foi positiva, enquanto o guia colocava a cadeirinha em um turista, rapidamente descíamos um por um pela corda, levamos 8 minutos.  Muitos até olhavam nossa rápida descida. Um guia até disse “vocês não são de brincadeira”. Logo chegamos à parte da rampa que realmente é bem inclinada. Meus dedos do pé começaram a reclamar. O pessoal já estavam bem cansado, pois foram 5 horas de subida e mais umas 3 horas de descida.  Nosso grupo já começava a se distanciar um do outro, cada um ia ao seu ritmo, até que em fim chegamos ao abrigo Rebouças. Partimos para onde estávamos acampados, fiz um churrasco para todos e contamos nossas historias da subida para o senhor Lourival.

Pedra do Couto a 2° montanha mais alta do Rio de Janeiro
Foi muito bom ter feito essa via, nos vimos capazes de fazer qualquer outra montanha mais difícil ainda. Se tivéssemos subido pela normal, acharíamos talvez sem graça e fácil. Essa via nos mostrou que somos capazes de desafios maiores e estamos preparados. Quando voltarmos, vamos fazer a via normal para chegar ao livro e contemplar o dia que desafiamos sem querer a via Bira. E olhar para o horizonte e dizer “como é bom ser montanhista”.

Todo o pessoal no cume


segunda-feira, 30 de junho de 2014

Agulhas Negras e Travessia Serra Negra - Parte 1

19/06/2014 - Viajem tranquila, nosso primeiro dia de incertezas e surpresas  



A ideia de fazer montanhas fora do estado do Paraná e Santa Catarina se inicio com a persistência de um montanhista muito respeitado aqui no sul, Sergio Sampaio da Hard Boot estava com outras Ideias na cabeça, travessias e montanhas novas. E o nosso alvo foi o Parque Nacional do Itatiaia, um verdadeiro parque de diversão para montanhistas e amantes da natureza.


Terezinha e Vivi 

Nosso destino Rio
Estrada para o Parque

Nosso destino, Pico das Agulhas Negras com seus 2791 metros de altitude e a travessia da Serra Negra no dia seguinte. Tanto eu quanto o Sergio, tentamos a todo custo pegar mais informações possíveis sobre o local, como chegar, onde acampar, sobre a subida até o cume e assim por diante. Tentamos pegar um lugar concorrido do Abrigo Rebouças, mas é mais fácil falar com o Papa do que conseguir um cantinho no camping que o parque tem disponível. Sergio já tinha conseguido a autorização para a travessia da Serra Negra, e agora só faltava lugar para ficar. Tentei de todo custo lugares, peguei informações com amigos que conhecem, o lugar mais próximo que chegamos foi no Alsene que está proibido acampar, Camping e pousada dos Lírios e dos Lobos. Esses são os lugares mais próximos para ficar, e mesmo assim não conseguíamos informação concreta se realmente teríamos um espaço para nós.

Carro cheio
Nosso lar durante 4 dias
 

Fomos mesmo assim com as duvidas se íamos conseguir ou não. Sergio então organizou a turma e no dia 18 para o dia 19 que era feriamos partimos sentido Rio de Janeiro. Fomos em dois carros, no primeiro, eu, Sergio Sampaio, Vivi e Terezinha. E no outro que por algum motivo iria mais tarde, Mario, Mércia, Evandro e Palu. A nossa viajem foi bem tranquila, mesmo em feriado o transito estava calmo, poucos caminhões e carros em toda viajem. Em São Paulo acredito que iramos pegar um transito infernal, nos deparamos mesmo com uma cidade, quieta e tranquila, se via poucas pessoas nas ruas pegando seus ônibus para trabalhar. Partimos em direção a Dutra, nosso destino Rio de Janeiro, paramos para tomar um bom café em uma dessas lanchonetes e logo continuamos nossa viajem. Depois de mais de 2 horas e meia entre São Paulo e Rio chegamos à BR que leva para o alto do Itatiaia, seguimos para a cidade de Itamonte - MG. Logo avistamos as placas que leva ao parque e ao camping dos Lírios ou dos Lobos, nossa dúvida agora era conseguir um local para acampar. No alto do Parque é bem “pobre” em ralação a camping, pousadas ou hotéis até encontra, mas camping mesmo é um problema. 




Araucária em clima de altitude 

Subimos a estrada até do parque, e já começamos a perceber o frio e a altitude. Lugar lindo e diferente do que encontramos aqui no Paraná. A serração tomava conta das montanhas e não era possível avistar muita coisa. Avistamos as placas que leva até os únicos campings próximos. Uma decida com uma estrada bem ruim, numa chuva acredito que é impossível subi-la. Essa começou a ser nossa segunda preocupação, já que a primeira era camping. Chagamos na pousada dos Lobos, e eis que surge a primeira certeza que fomos agraciados por Deus, a pousada não tinha mais espaço e o Lírios também estava cheio e na nossa frente uma senhora que na Pousada dos Lobos estava trabalhando e por sinal muito simpática oferece um lugar para ficar em sua pequena chácara, bem próximo aos dos Lírios, um lugar bom com um ótimo gramado. 



Jantar feito pelo Sr Lourival. Simpatia e hospitalidade 100%

Nessa ocasião conhecemos o senhor Lourival dono do lugar, que nos recebeu com uma afinidade que só o mineiro tem. No começo ficamos assim meio sem jeito, mas depois de um tempo pegamos confiança e ele conosco. Montamos nosso acampamento, e aguardos o outro grupo que estava por vir. A noite começara a cair, como tínhamos levado carne para assar o senhor Lourival nos emprestou sua churrasqueira. Estávamos mais a vontade agora. Papo vai e papo vem descobrimos que o Sr Lourival conhecia tudo naquela região, ai era só suga-lo ao máximo sua experiência para então no dia seguinte seguir ao cume das Agulhas Negras. Ao escurecer eis que surge na estrada a cima uma luz, era o carro do Mario descendo a estrada. Agora é só esperar o próximo dia, pois não imaginávamos a pedreira que iramos pegar. 
Próximo Post - Cume do Agulhas Negras - Subida infernal pela Bira Bira.


Um pouco do Parque:

O Parque Nacional do Itatiaia fica localizado na tríplice fronteira entre os Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. Foi o primeiro parque criado em 1937, situada na Serra da Mantiqueira, abrange os municípios de Itatiaia e Resende no Estado do Rio e Bacaina de Minas e Itamonte no Estado de Minas Gerais onde ficam aproximadamente 60% de seu território. A Unidade está localizada entre as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, próximo à Rodovia Presidente Dutra, tendo como polo econômico mais próximo a cidade de Resende. A sua altitude varia entre 600 a 2791 metros. A Parte Alta encontra-se os campos de altitude e os vales suspensos e na parte Baixa caracteriza-se principalmente por sua vegetação exuberante e generosos cursos d'água, com diversas áreas apropriadas para banho.

tupi Ita = pedra e tiããi = ponta, dente, deram origem à denominação ITATIAIA os nativos, da família tupi, da tribo conhecida como PURI, constituíram os primeiros nativos dessa região; estudiosos apontam essa tribo como colonizadora do vale do Paraíba do Sul. A partir do sec. XVI, nos primórdios do movimento das bandeiras, europeus ou descendentes paulistas vinham à região para a captura de escravos indígenas. Existia uma trilha que partia de São Paulo, através do vale do Rio Paraíba do Sul, em direção ao norte, acompanhando as franjas da Mantiqueira. O atual pico das Agulhas Negras era utilizado como um marco de orientação pelos bandeirantes que capturavam índios na região

A área pertenceu ao Visconde de Mauá e foi adquirida pela Fazenda Federal em 1908, para a criação de dois núcleos coloniais destinados ao cultivo de frutas. 

Foi em 1913 que o botânico Alberto Loefgren solicitou ao Ministério da Agricultura a criação de um parque nacional no Maciço do Itatiaia. .

Os campos de altitude encontram-se na parte conhecida como região do Planalto do Itatiaia, sendo seus pontos culminantes:

· O Pico do Itatiaiaçu localizado nas Agulhas Negras com 2791,55 m de altitude.
· O Pico da Montanha do Couto o segundo ponto mais alto do parque com 2 680,99 m de altitude.
· A Pedra do Sino de Itatiaia, o terceiro ponto mais alto do parque com 2 670 m de altitude.
· A Serra do Maromba com 2 607 m de altitude.
· As Prateleiras com 2 548 m de altitude formado por maciços blocos de rochas com vista para o Vale do Paraíba. Próximo às prateleiras existem diversos lagos e formações rochosas como a Pedra da Tartaruga, a Pedra da Maçã e a Pedra Assentada.
· A Pedra do Altar, é uma formação rochosa com 2 530 m de altitude.
· Os Dois Irmãos com 2 500 m de altitude.