Powered By Blogger

Montanhas do Paraná e do Brasil

Montanhas do Paraná e do Brasil

Compartilhe

terça-feira, 5 de novembro de 2024

Travessia Reserva Lagamar - Por Vanderlei de Castro: Terceiro Dia

Terceiro dia 11/10/2024



Como é bom dormir dez horas sem acordar e isso dormindo em uma barraca, hehehe isso para ver o cansaço do dia anterior. Como previsto acordei às 05:40 da manhã, tudo em ordem, a chuva tinha acalmado, isso ajudaria a render minha caminhada. Fiz aquele super café,  e “bora” lá arrumar tudo novamente, neste momento se você não for meticuloso na organização falta espaço na mochila, isso é uma verdade. Às 07:10 já estava com a mochila nas costas e comecei a caminhar, sai na praia, olhei para os lados e ninguém, só o louco com uma cargueira nas costa, sorri e vamos lá, pois a intenção era chegar a Praia dos Golfinhos e assim encerrar a caminhada na Ilha Comprida. 





Sr Renato

Na parte da manhã a caminhada foi tranquila, o sol não apareceu, estava nublado e isso ajudou, pois com sol fica mais complicado de caminhar por horas. Mas encontrei várias pessoas pelo caminho hoje. Primeiro foi um grupo de pescadores de Iguape que estavam ali de caminhão e guinchado uma grande embarcação para pesca. Eles estavam aguardando a maré baixar para colocar o barco na água. E logo depois, meio-dia passou por mim seu Renato que tem uma pousada e camping pertinho da praia que se chama Recanto dos Golfinhos, telefone de contato (11)958447990, ela não cobra o valor do camping para que estiver fazendo travessia. Ele me convidou para ficar, mas falei para ele que meu objetivo era a praia dos Golfinhos e tinha que caminhar muito ainda, mas agradeci a boa intenção dele e continuei minha jornada. Então passei pelas dunas do Boqueirão Sul, lugar lindo de dunas altas, muitos mirantes naturais para se ter uma visão maravilhosa da região e dá-lhe fotos. 







Na metade da tarde também passou por mim seu Heitor, de carro é claro, pois por ali se anda muito de carro e moto pela praia. Então, ele parou e perguntou se queria carona, agradeci e expliquei o porquê de não aceitar a carona, ele ficou abismado e me chamou de louco...kkkk. Mas ele fez uma proeza, abriu uma caixa de isopor que estava sobre o banco e logo foi me alcançando uma lata de cerveja super gelada, misericórdia, peguei com as duas mãos, que maravilha, numas alturas daquela tomar uma cerveja gelada. Mas a caminhada não poderia parar, agradeci e fui andando. E como andei, minha gente, aquela praia não acabava mais, meus ombros estavam bem doloridos e minhas pernas bambas, mas tinha que caminhar. Finalmente às 18:00 cheguei a praia dos Golfinhos, esgotado. Mas o visual que se tem dali, pois você vê ao longe a Ilha do Bom Abrigo e a Ilha do Cardoso. Fiquei ali sentado na areia vendo o mar por uns longos minutos até cair na realidade, pois não iria acampar ali na praia desta vez, pois precisava de um banho urgente, nem eu estava me aguentando mais...kkk, só no lenço umedecido não dá. E assim retornei pela praia até onde tinha visto umas casas e por incrível que pareça uma delas era um camping. 




Que maravilha, cheguei acertei o valor do camping (40 reais) e já fui montando minha barraca e fui tomar banho. Banho tomado, já fui para os afazeres do jantar, que continua o prato preferido, sopa de farinhas, mas é bom quando se está com fome. Naquele momento estava feliz, pois tinha conseguido fazer a travessia de toda a extensão da Ilha Comprida, nossa, três dias de pernada já e de mais, amanhã à noite vou poder ir no Fandango em Cananéia. Jantado e o sono já veio, deixei a louça para lavar no outro dia e lá fui eu para meu berço de lençóis de seda, uma maravilha, só deu tempo de agradecer a Deus pelos maravilhoso dia e lembro que pronunciei meu lema: "se você estará, eu estarei sempre." e apaguei, como se tivesse tirado da tomada. Fui... até amanhã pessoal.



Continue... (clique para o dia seguinte)

terça-feira, 29 de outubro de 2024

Travessia Reserva Lagamar - Por Vanderlei de Castro: Segundo Dia

 Segundo dia 10/10/2024 


Acordei às 05:40 da manhã. Nossa, dormi num sono só, que maravilha, deu para relaxar a musculatura. Pelo barulho no teto da barraca está garoando ainda, mas com ou sem garoa "bora" prepara o café preferido e arrumar tudo para partir. Meu café da manhã foi pão com salame e café puro, delícia. As 06:20 já estava justando minhas coisas, pois com chuva deveria tomar muito cuidado para não molhar. Então guardei tudo na mochila o que estava na barraca e o negócio foi sair para fora e desarmar a mesma, a primeira parte estava encharcado, mas a segunda só umedeceu um pouco. Traíras arrumadas, eu com capa de chuva e "bora" caminhar, o objetivo do dia é 45 km para assim chegar a tempo em Cananéia para o Fandango. 







A chuva judiou o dia todo, mas o que me alegrava era ver os pescadores que mesmo assim estavam na labuta do dia a dia. Conversei com seu João, pescador, quase não me deixava falar he,he,he. Ele disse que a rede dele pesava mais que minha mochila e ria. Me despedi dele e continuo a caminhar. Mas não consegui meu objetivo dos 45km andados, foram somente 36 km, mas estava bom já. A dor nos pés e nos ombros era grande. Então neste segundo dia passei pelas praias: do Araçá, Mar azul, do Encanto, das Garças, de Maratayama, das Janaína, das Samambaias, de Varegio, do Castelo, da Ponta Grossa e cheguei na praia de Ubatuba, ali encontrei atrás de umas dunas uns pinos e ali me alojei. Armei a barraca, fiz rapidinho minha comida e já fui dormir, pois estava muito cansado. E no dia seguinte teria que caminhar muito mais para alcançar meu objetivo. 

Agradeci a Deus pelo dia e adormeci.


Continue... (clique para o dia seguinte)

segunda-feira, 28 de outubro de 2024

Travessia Reserva Lagamar - Por Vanderlei de Castro: Primeiro Dia


Primeiro dia

Acordei às 06:20 da manhã do dia 09/10/2024.  Para começar, desço até a cozinha do hostel, esquentei a água do chimarrão para fazer o desjejum, dona Vera logo chegou na cozinha e começou a preparar o café enquanto eu tomava chimarrão, conversamos sobre vários assuntos recorrentes a cidade de Iguape. As 07:40 sai pra rua e comecei meu tour. Primeiro fui na Fonte do Bom Jesus de Iguape, lugar lindo e harmonioso e então subi a trilha até a pedra Liga, levei uns 30 minutos de subida até o mirante que tem uma visão espetacular de lá. Retornando peguei numa altura a esquerda uma segunda trilha que me levou ao Mirante do Cristo onde também tem uma linda visão da cidade de Iguape. Chegando ali encontrei um senhor ajoelhado aos pés do Cristo com as mãos elevadas e numa dela segurando uma imagem de Nossa Senhora Aparecida. Respeitei o momento do mesmo e me mantenho em silêncio, o senhor que estava rezando era seu Júlio, que estava acompanhado do seu filho, que é bombeiro de Iguape e Ilha Comprida.  Então, seu Júlio foi um maratonista de corridas de rua por muitos anos, viajou o mundo participando e hoje ele está lutando e correndo contra o tempo, pois está com Alzheimer. Porém a fé e positividade deste senhor é inimaginável, somente ele sabe o que está passando, mas está fazendo de tudo para aproveitar a vida até onde tiver consciência. Me incentivou muito sobre a travessia que estava fazendo e pediu para nunca desistir de si mesmo, aquilo me esmoreceu, puts. Falou que rezaria todos os dias para Nossa Senhora Aparecida me iluminasse e me guardasse. Minha vontade era de ficar ouvindo suas histórias, seus feitos, mas tinha que partir, seguir meu roteiro. 


Inicio Trilha Pedra da Liga

Mirante Pedra da Liga

Me despedi dos dois e desci as escadarias do mirante até chegar na cidade novamente. Confesso, chorei ao descer as escadas, pelos exemplo de vida do seu Júlio e eu cheio de falhas e dúvidas sobre a vida! Dali fui para a Casa Cultural de Fandango de Iguape que foi inaugurado a pouco tempo.  O Fandango é uma parte muito importante da vida social das comunidades caiçaras no litoral de São Paulo e do Paraná. Está expressão cultural envolve música tocada com violas, rebecas e adubos, danças, sapateado e improviso de versos. Mas na casa do Fandango encontrei seu Nelson que é um dos zeladores da casa, me apresentou todo o museu e contou que Iguape foi onde o Fandango começou. Me convidou para tomar um café caboclo que está disponível sempre no fogão a lenha. No local dão aulas também de fabricação dos instrumentos de Fandango. Seu Nelson depois de saber o que eu iria fazer, me convidou para participar no sábado seguinte 12/10/2024 da apresentação de Fandango em Cananéia e ele estaria por lá com o grupo de Iguape. Hehehe, aceitei na hora, mas depois tive que agilizar meu tempo para que conseguisse chegar a tempo em Cananéia para o Fandango. Me despedi do seu Nelson e fui para o Museu Cultural de Iguape, que fica ao lado da Basílica na praça principal na rua das Neves. Seu Ditinho, um senhor já de idade avançada me acolheu na entrada e já foi falando comigo como se me conhece há tempos. Me mostrou o pequeno museu que tem sua apresentação histórica muito intensa naquele casarão, sem contar que segundo seu Ditinho ali foi no passado áureo do Brasil colônia, a primeira fábrica de fundição de ouro, pois os aventureiros estrangeiros subiam o rio Ribeira atrás do metal preciso e valioso e fundiram para assim melhor transportar o mesmo. Me despedi de seu Ditinho e me bandei para o hostel, pegar minha mochila cargueira para seguir caminho. 
















As 11:00 horas estava já me despedindo da dona Vera, dona do hostel que com sua simplicidade fez questão de me acompanhar até a porta de saída para rua, pedindo para que voltasse outras vezes. Então segui a caminho para a Ilha Comprida, que condiz com seu nome, são 74 km de praia ininterruptas. Passei a ponte que liga Iguape com a Ilha Comprida e cheguei no centro de informações turísticas que fica junto com a rodoviária, procurei um mapa de toda a Ilha e algumas informações relacionada a minha travessia e em seguida rumei para meu objetivo, o norte da ilha, pois tinha que chegar até a Barra da Icapara que é o encontro entre Mar Pequeno e mar aberto, extremo Norte da ilha. Antes passei num mercado, comprei duas garrafas de água de 1,5L e tomates para comer, pensa numa delícia quando se está com fome e você tem tomates puro para comer, hehehe... 







As 13:00 horas estava na praia caminhando, “bora” lá que tem chão, até o extremo são 16 km. Na metade da tarde começou uma garoa fininha e foi aumentando, então saquei do meu kit chuva, isolei minha cargueira, vesti minha amarelinha e vamos que vamos. Caminhar com chuva na praia é difícil, pesa muito. As 17:36 cheguei ao extremo Norte da ilha. Já fui procurar um ponto bom para acampar, pois o mar estava agitado e ondas grandes avançavam sobre a praia, então me retirei o máximo que pude por segurança. Barraca armada, já me recolhi para dentro de meu quarto exclusivo no hotel de luxo no meio do nada na Ilha Comprida ao som estrondoso das ondas arrebentando na praia, que maravilha. Tirei minha roupa molhada e já fui fazer meu primeiro rango da travessia. Prato especial da casa sopa rápida com farinha de feijão branco, farinha de arroz, farinha de gérmen de trigo e picadinho de salame italiano, que delícia, o dia todo sem comer algo que sustentasse, aquilo foi a refeição dos deuses. As 19 horas já tudo pronto, por incrível que pareça já estava aninhado no meu saco de dormir, pois o dia foi cansativo, no total andado do dia foram 32 km, isso que boa parte disso foi sem o peso da minha cargueira que está com 17 kg. Mas em fim, estou carregando minha casa, meu conforto tudo ali para minha façanha de nove dias de travessia. O sono não demorou a chegar, pois só embalo da chuva e o barulho das ondas, Vanderlei foi adormecendo. 



Deus muito obrigado. Se você estará, eu estarei sempre...


Continue... (clique para o dia seguinte)