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Montanhas do Paraná e do Brasil

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sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Travessia Petro/Tere 2° dia




2° dia – Pedra do Sino – Abrigo 4

Depois de uma longa viagem de 14 horas e mais 6 horas de caminhada no nosso primeiro dia de travessia e uma noite linda e estrelada, e com a linda visão de toda a baia do Rio de Janeiro perto das enormes pedras do Castelo do Açu, tivemos uma noite de descanso merecido. No segundo dia levantamos bem cedo para ver o espetáculo da natureza. O sol nascendo entre as grandes montanhas da Serra dos Órgãos, era o momento mais esperado, vários montanhistas se espalhavam em todo canto entre as pedras do Açu, e em silêncio apreciava aquele momento único. Uma euforia começou a tomava conta de todos, era como se fosse a primeira vez que isso tivesse acontecendo. O horizonte leste logo tomava um tom alaranjado enquanto ao oeste uma linda lua descansava em seu horizonte.

Enquanto o sol toma conta de tudo, resolvi conhecer um pouco mais do local onde estávamos acampando, subi até a cruz do Açu, era possível ver várias serras e montanhas imponentes e também mais distante a serra da Tijuca. Logo veio ao meu encontro um montanhista de Minas Gerais e com sua simpatia me passou várias informações e história do porque daquela cruz. Logo desci até nosso acampamento, agora era desmontar tudo novamente e partir para mais um dia de muita caminhada. Demos baixa no abrigo Açu e logo começamos, conosco caminhava mais um grupo, uma família de franceses que ali estava para fazer um documentário. Também andavam com a gente três amigos do Rio, em sua missão, era chegar ao portal de Hércules que por final não conseguiram e acabaram voltando.

Continuamos nossa trajetória, nosso destino Pedra do Sino custe o que custar, com a mochila um pouco mais leve seguíamos passo a passo. Eu mesmo acreditava que aquele segundo dia seria mais fácil, puro engando meu. A caminhada mal começava e já sentia que aquele seria um dia e tanto. Depois de umas duas horas de caminhada, passando por um imenso paredão com um declínio de uns 60 graus, chegamos finalmente no Elevador, um paredão de pedra de mais de 60 metros de altura cravadas em sua rocha escadas de ferro para facilitar a subida. Um a um começamos a subir, o que mais me incomodou foi que as escadas de ferro estavam afastadas da pedra, então achei melhor fixar a sola da bota na pedra do que escorregar na escada. Cada um demorou em torno de 10 minutos para finaliza-la, não que era difícil ou perigoso, mas era bem cansativo, com a mochila cargueira nas costas tudo fica mais complicado. Chegamos no Dinossauro e começamos a avistar toda cadeia de montanhas da serra dos Órgãos, Dedo de Deus, Garrafão, etc. Ficava mais próximo a cada passo que dávamos. A Pedra do Sino nos mostrava o porquê é o ponto mais alto da região. Com sua imponência nos avisava que ainda faltava muito para chegar. 

O céu estava lindo, porém conforme a tarde chegava uma nuvem se aproximava e a linda visão mudava seu tom, e algumas montanhas já se encontrava escondido entre nuvens. Depois de mais de 6 horas de caminhada chegamos que para mim foi a parte mais chata, a passagem do Mergulho, uma grande descida em pedra que não tem apoio algum, com a ajuda de todos conseguimos passar esse trecho que foi sem dúvida a mais medonha, talvez achei isso porque minha mochila ainda continuava pesada e logo senti que qualquer vacilo ela poderia me derrubar. Logo chegamos no vale das Antas, um refúgio com água cristalina ideal para aquele descanso e fazer um bom lanche. Fiz uma sopinha quente acompanhada com pão e de sobremesa, uma deliciosa laranja. Meus amigos se viravam como pode, cada um trouxe algo para comer e a divisão ajudava a matar a fome. Descansamos bastante e logo partimos para a parte mais difícil da travessia, que era a subida até o Sino. 

Logo comecei a perceber o quanto seria difícil, o psicológico já estava batendo e então comecei a pensar na minha família, para então continuar a caminhada. Chegamos na pedra da Baleia exaustos e sabendo que ainda faltava muito para chegar. Placas nos avisava a distância percorrida, você caminhava, caminhava e caminhava e descobria que andou 200 ou 300 metros apenas. Parece que não rendia. Depois de mais de 8 horas de caminhada chegamos no tão temido cavalinho, em nossa frente os franceses passavam com ajuda de cordas e guias e nós somente com ajuda um do outro. Em fila esperávamos a vez de cada um. Sandro estava na parte de cima e puxando as mochilas com o apoio da Bea que logo foi substituída pelo Fernando que ajudava a todos na subida, um apoiando o outro, uma ajuda coletiva que nos faz apoiar nessa incrível amizade que todos temos até hoje. Um por um subimos aquele trecho que para mim ainda não foi tão difícil quanto o Mergulho, mas que requer respeito, pois qualquer vacilo naquela pedra uma queda seria fatal. O cavalinho é bem complicado, requer atenção para subir, no seu lado esquerdo fica um precipício, cair ali seria bem chato pra você. Com cuidado e pegando nas agarras da pedra corretamente e usando um pouco as forças nas pernas a subida fica mais fácil.

Continuamos nossa subida, depois de passar por uma escada de ferro, já estávamos na encosta da Pedra do Sino. Logo avistamos uma placa Pedra do Sino/Abrigo 4. Decidimos ir primeiramente no Abrigo 4, montar barraca e tomar a decisão de subir ou não o Sino. Eu estava já bem cansado decidi ficar, alguns amigos subiram e logo desceram, me arrependi de não ter subido, agora vou ter que voltar somente pra isso. Chegamos no Abrigo 4 depois de 9 horas de caminhada, bem cansado e pensando num banho. Água quente só pagando, o valor 15 reais por 5 minutos, naquele lugar depois de 2 dias sem banho e o frio que estava, era até luxuria esse banho quente e pagar seria justo também, imagina subir até o Abrigo 4 com um botijão de gás nas costas? Eu resolvi tomar um banho de água gelada mesmo, ajuda até nas dores, não foi fácil, mas com muita coragem eu me embrenhei em baixo do chuveiro, banho que demorou um pouco mais de 2 minutos. Pode até ser engraçado mais que banho gostoso. Banho tomado, agora era a vez de fazer aquela janta. Nos unimos mais uma vez e cada um trouxe algo para aquela janta, arroz, feijão, salada, carne, o que era aquela polenta cremosa com queijo da Bea? Um verdadeiro banquete. Depois de um bom papo e chocolate de sobremesa, era o momento de descansar, pois no dia seguinte teria mais 3 horas de descida.

O lindo nascer do sol


Gigantesca pedra do Açu


Camping próximo as pedras do Açu






Castelo do Açu vista da cruz 

Cruz do Açu


Abrigo Açu


Descida para o Elevador

Bebê montanhista - Família francesa fazendo a travessia 









Visão fechada 






























Cavalinho

Abrigo 4



quarta-feira, 25 de julho de 2018

Travessia Petro/Tere 1° dia





Reginaldo Mendes, Alexandro Kenor, Beatriz Andreis, Miria Caetano, Nelson Da Silva, Eloise de Fátima, Denise Lovato, Perla Steil, Elisama  Prado, Fernando Ferreira, Patricia, Rafael Jackson, Claudia Cristina, Sergio, Sandor Godoy
Um rápido relato da travessia Petrópolis Teresópolis realizada em três dias.

No dia 30 de março de 2018 realizei com meus amigos uma das mais lindas travessias do nosso país, conhecida como Petro/Tere. Localizada na Serra do Órgãos, essa travessia pode ser feita de dois até três dias, dependendo do seu preparo físico. Serra dos Órgãos tem essa denominação por causa da semelhança dos picos da serra com os tubos de órgãos de igreja, que foi avista de longe pelos primeiros colonizadores.

Desde 2017 comecei a preparar a logística, custo, disponibilidade, hospedagem para o nosso motorista e gente para essa travessia. Já fazia um tempão que eu queria faze-la. Mas os valores eram altos e fora também o deslocamento. Então convidei alguns amigos, locamos uma van  e partimos para essa empreitada. Já no final de abril um susto, quase perdemos a janela para agendamento e pagamento das entradas, graças a Perla que tinha crédito em seu cartão disponível para a compra dos ingressos isso não aconteceu. Não é possível comprar os ingressos por meio de boleto e nem débito, tem que ser crédito e com bandeiras cadastradas no site da Parnaso. Hoje as regras até mudaram, é possível você fazer o agendamento em todo ano, porém é preciso estar com o cpf de todos. Eles mudaram essa regra por causa da quantidade de substituição de nomes nas vésperas de travessia. 


1° dia – Pedra do Açu
No primeiro dia tem que contar com a nossa viagem de mais de 16 horas de estrada, saímos dia 29/03  as 20:00 de Curitiba sentido Petrópolis para então começar nossa caminhada. A viagem foi bem tranquila, pouco transito, galera animada, fomos em 15 montanhistas, 14 do Paraná e uma Santa Catarina. Chegamos na portaria já passava das 10 horas da manhã, logo no início o primeiro desafio, alinhar a carretinha da van numa estrada apertada para que nosso motorista o Bob possa ir para Teresópolis e descansar durante toda nossa jornada. Van dispensada e caminho livre até a portaria, damos entrada mostrando nossa autorização, e seguimos montanha a cima depois das 11 da manhã.

O início é bem tranquilo, com as cargueiras nas costas seguimos sem muita presa para o nosso primeiro destino, o Castelo de Açu com seu 2200 metros de altitude. Logo passamos a cachoeira Véu de Noiva, decidimos não passar lá por causa do atraso da caminhada. Continuamos e logo chegamos na famosa pedra do Queijo, uma formação rochosa contendo uma linda vista do vale e suas montanhas próximas, local ideal para aquele lanche forte. Seguimos passo a passo, e logo encontramos o melhor ponto de água do primeiro dia, Ajax, um belo e refrescante córrego de água pura, enchemos mais nosso cantil e descansamos um pouco. Partimos rumo a “Isabeloca”, uma das mais cansativas subidas da região, conta a lenta que a princesa Isabel subia esse trecho a cavalo na época do império. Isabeloca é uma longa subida até o elevado das montanhas que segue para o Açu. Do Ajax até o chapadão que finaliza a subida levamos em torno de uma hora e meia, e mais uns 15 minutos até “Graças a Deus” fechando assim toda a subida. Já passava das 16:30 quando logo avistamos de longe o Açu, parti mais a frente para chegar antes de escurecer, deixando alguns amigos para trás, pois àquela hora era cada um por si. 

Na nossa frente tinha mais alguns do nosso grupo, que foram até o abrigo Açu para acampar e logo voltaram pois não tinha mais lugar. Quanto por fim cheguei no Açu, avistei alguns dos meus amigos que chegaram antes. Me avisaram que no camping do abrigo não tinha mais espaço e então tivemos que acampar próximo as enormes pedras do Açu. Enquanto Fernando me recepcionava, Sandro foi de encontro com o resto da turma que estava para trás. Tinha até muitas clareiras disponíveis, assim, conforme chegava a hora, todos meus amigos já estavam concluindo o primeiro dia de travessia. Acampamento montando, fizemos aquela janta caprichada, depois curtimos a linda noite estrelado, e no horizonte escuro avistávamos o lindo Rio de Janeiro. Depois de um bom bate papo em cima de umas das enormes pedras do Açu era hora de descansar, pois no próximo dia a caminhada ia ser mais difícil que o primeiro.
















Vista da Pedra do Queijo




Abrigo Açu

Nossa primeira janta


Camping próximo ao Açu